25 de junho de 2022
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Gabriel Novis Neves

Mania de cuiabanos

dothCom Consultoria Digital2
17 MAI 2022 - 05h05min

O cuiabano de “tchapa e cruz” tem o hábito de colocar nome em tudo que encontra e vê, geralmente rico em humor.

Quem não se lembra “da pedra canga”, recém-chegado à Cuiabá (rosto com cicatrizes de varíola)?

O governador do Estado acabara de inaugurar a Escola Senador Azeredo no Porto, com autoridades e povo.

Na saída da festa um transeunte perguntou ao amigo de onde tinha vindo.

Este lhe respondeu: da inauguração da “Escola do Peixe Frito”.

O antigo cuiabano ainda se lembra com humor que o primeiro otorrino de Cuiabá era surdo (Dr. Alberto Novis).

O Tabelião de Registro de Imóveis era cego (Dr. Luís Philipe Pereira Leite).

E o Arcebispo era agiota (Dom Orlando Chaves).

A Academia de Letras era conhecida como “Casa dos Imortais”.

O cuiabano acrescentou: “Casa dos Imortais, Mortais”.

Moro em um espaçoso apartamento com quatro quartos.

Um quarto é onde durmo.

Os outros três têm nomes: “quarto do Pace” (amigo que em vida se hospedava lá), da “enfermeira” (que me acompanha) e do “Fábio” (fisioterapeuta, onde deixa o seu avental branco e material de exercícios).

Acho fantástico essa tradição, que deveria ser mantida como as demais.

Como é gostoso percorrer o centro histórico de Cuiabá, guardião dessa nossa tradição de dar “nomes próprios” aos becos, ruas, avenidas, travessas e morro!

Tenho certeza que poucos cuiabanos conhecem o “Parque” Antônio Pires de Campos (bandeirante paulista do século XVIII, que aqui adentrou à caça de índios para vender como escravos em São Paulo).

Mas, pelos apelidos conseguirão facilmente localizar o Morro da Luz ou da Prainha.

Até a Praça Alencastro, construída pelo meu bisavô engenheiro militar Vasconcelos recebeu o nome de Jardim (antigo ponto de encontro dos cuiabanos).

Os apelidos de pessoas não eram pejorativos e acompanhavam as famílias de forma carinhosa.

O Marechal Rondon, só chamava o índio branco de Tripé.

Saudades do João Galinha (barbeiro), João Banana (alfaiate), João Butu (meu primo), João Papa Vela (fundador do Diário de Cuiabá), Chico Jorge (o seu nome era Arthur), Nhô Matraca (comerciante e político), Totó Carijó (comerciante), Nhonhô Tamarineiro (fazendeiro e político), Hélio Goiaba (compositor), Lebrinha (empresário de água mineral), Jabuti de Gravata (meu professor), Pé de Chumbo (jogador de futebol), Fôrma de Pote (professor e político), Paizomé ( taxista), Hélio Carrapato (meu vizinho e filho do Batinga da rua do Campo), Chupapaia ( jogador de futebol e carnavalesco), e o Bugre do bar (meu pai).

 

 

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