30 de novembro de 2021
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Gabriel Novis Neves

MEU PRIMEIRO DIA

dothCom Consultoria Digital2
8 JUL 2021 - 09h45min

É evidente que uma pessoa com oitenta e seis anos já viveu vários tempos em um só, que é a sua vida.

As coisas mudaram, e muito, neste meio século e meio.

A começar pela minha educação. Ela foi precedida por brincadeiras infantis até aos meus seis anos e oito meses, quando fui para a escola.

Minha mãe me preparou com o uniforme do Grupo Escolar, confeccionado por ela, para na primeira semana de março de 1.942 eu fosse apresentado à professora, que me alfabetizou.

Ela também arrumou a minha pasta escolar. Lá continha um caderno de caligrafia, um livro de alfabetização, um lápis preto, um apontador de lápis e uma borracha.

A merenda levava de casa – um copo de café com leite, pão francês com manteiga e açúcar.

Minha primeira escola foi a Escola Modelo Barão de Melgaço, que ficava na Praça Ipiranga onde atualmente funciona o “Ganha Tempo”.

Minha mãe, antes de eu sair de casa na "Rua de Baixo", me dizia para seguir em frente em direção a Rua Treze de Junho, que atingiria a Praça onde professores e alunos se encontravam antes do início das aulas.

Ao chegar à Praça, uma professora de longos cabelos pretos enrolados na cabeça, se aproximou de mim, chamando-me pelo nome - sou a professora Oló (Aureolina Eustáquio Ribeiro), e ficarei responsável por você.

A campainha tocou um pouquinho antes das sete e meia.

Os alunos se perfilavam em grupos de trinta, que atingia aqueles do primeiro ao quarto ano primário.

Ouviam o bom dia da diretora, cantavam o Hino Nacional com o hasteamento da bandeira brasileira.

Depois, em marcha indiana, entrávamos no pátio da escola e cada grupo procurava a sua sala de aula.

Para mim tudo era novidade – não conhecia o quadro negro, giz, apagador. As carteiras de madeira de lei, que comportavam dois alunos, ficavam enfileiradas em número de cinco, divididos em três blocos.

Éramos trinta alunos por série, onde os totalmente analfabetos ficavam em um grupo à direita, aqueles que conheciam o bê-á-bá no centro e em outra extremidade aqueles colegas que liam e escreviam.

Fiquei no grupo dos analfabetos e por ser alto, sentava na quinta carteira para dois alunos.

Não havia distinção social, econômica ou de raça.

Tudo era novidade para mim! Não sabia que ir ao banheiro era "breve". E para saber se havia alguém lá, a professora mantinha um pedaço de madeira forte em cima da sua mesa.

No meio das aulas tinha a merenda que era servida no pátio para os menos abonados financeiramente.

Geralmente pão francês com rapadura de cana. Os de melhores condições financeiras compravam deliciosos salgadinhos que eram vendidos pelos especialistas. Eu merendava na sala de aula a merenda que trazia de casa.

Demorei um semestre para começar a ler o livro do primeiro ano primário. Ia muito bem, até que me enrolei na página da mola, roda, cola, soda etc.

A página ficou até amarelada de tanto manuseá-la com as mãos de manteiga da merenda.

No final do ano sabia ler e escrever e fui aprovado com a nota dez, passando para o segundo ano.

Não parei mais de estudar e após dezoito anos colava grau de Medicina.

Depois que adquiri o ensino superior, estudo até nos dias atuais.

A escola só tem porta de entrada, não existe saída.

 

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