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03 de agosto de 2020
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: AH, SE FOSSE MINHA MÃE!

Giovani José da Silva
10 MAI 2020 - 06h44min

         Hoje, segundo domingo de maio, é celebrado o Dia das Mães no Brasil e em alguns lugares do mundo (África do Sul, Itália, Japão, Nova Zelândia e Peru, dentre outros países). Estamos em meio à pandemia e ao pandemônio provocados pelo novo Coronavírus/ Covid-19 e eu longe fisicamente de minha mãe e de seu colo generoso. Natural seria que eu escrevesse sobre dona Gregoria Ramona Torres Silva e meu imenso amor por ela, a mais bela flor da fronteira, de quem sinto tantas, tantas saudades. Entretanto... Entretanto, caros leitores, não posso me furtar a escrever sobre outra mãe, uma que envergonhou a muitos no país nesta semana que se encerrou ontem, concedendo uma entrevista ao canal de televisão por assinatura CNN Brasil, na quinta-feira, 07/05. Sim, estou falando de Regina Duarte, que ocupa atualmente o cargo de secretária da Secretaria Especial da Cultura, órgão do Ministério do Turismo (que deveria ser) responsável pela formação de políticas, programas e projetos de promoção da cidadania por meio da Cultura. Em 2001 ela foi a mestre de cerimônias do Prêmio Professor Nota 10, oportunidade em que eu a conheci de perto, pois naquela mágica noite de 9 de outubro fui reconhecido como o melhor professor da escola pública brasileira, inclusive sob os aplausos da dita cuja (que então celebrava 40 anos de carreira). Não imaginava que quase 20 anos depois daquele evento, eu estaria escrevendo sobre ela e seu comportamento horroroso/ indecoroso/ indigno em público. Se fosse minha mãe, bem, eu diria à essa senhora algumas coisas, começando por lembrá-la que ao contrário do que afirmou ao jornalista que a entrevistou: não, a senhora não está viva! Quem está realmente vivo/ viva na situação em que nós nos encontramos é capaz de se indignar, de se revoltar e não se curvar aos desmandos do atual (des)governo. Quem vive, de verdade, tem empatia, demonstra solidariedade, não apenas às famílias de artistas falecidos, mas a todas as famílias, às Marias, Clarices, Beneditas, Josefas, Aparecidas e a todas as mães enlutadas pelo Brasil afora... Se a senhora fosse minha mãe, Regina Duarte, eu diria em alto e bom som que não se canta a esmo a famigerada “Pra frente Brasil” e que não era nada bom quando as gentes cantavam isso. Estávamos vivendo um dos piores momentos da Ditadura civil-militar (1964-1985) e o sanguinário governo encabeçado por Emílio Garrastazu Médici usava o esporte, especialmente o futebol, para “anestesiar” a população brasileira, enquanto a tortura corria solta nos porões do regime. A senhora, por sua vez, estrelava com grande sucesso, na mesma época, a telenovela “Véu de noiva”, de Janete Clair, não é mesmo? Sabemos que sempre haverá mortes, sem dúvida, mas há aquelas infames, provocadas pelo descaso governamental, pelas mazelas de toda ordem, pela tortura e a mando de quem detém o poder, seja político e/ ou econômico. Há, também, aquelas provocadas pela alienação, pela falta de empatia, pela ausência de humanidade, pela insuficiência de... ar! Não, a senhora não está viva... Transformou-se, especialmente nos últimos anos, em um arauto de causas abomináveis, como a defesa intransigente de interesses pérfidos de pecuaristas e latifundiários, em detrimento de vidas indígenas, além de manifestar “medo” da vitória de certo candidato à presidência da República. A senhora não teve medo de se aproximar e de se envolver com gentes tão toscas e indecentes? Ah, se fosse minha mãe... Eu a repreenderia com firmeza, diria para ir imediatamente ao “cantinho da reflexão”, após a entrevista na Televisão, a fim de um autoexame atento de suas palavras malditas e inações. Evidentemente que nada disso adiantaria, não é mesmo? Afinal, a senhora não está viva, comportando-se como um zumbi, incapaz de se condoer com o sofrimento dos outros, preocupando-se apenas com uma trajetória/ carreira que considera impoluta, vitoriosa. Vitória de Pirro, diríamos! A senhora afirmou na referida entrevista que estão a “desenterrar mortos”, que não quer “carregar cemitérios”, quando, na verdade, a senhora é quem está desenterrada, exalando um odor pútrido, um hálito insuportável, com cheiro de desencanto e devaneio. Não tenho vergonha de dizer que foi a mestre de cerimônias em uma noite mais do que especial para mim e para a escola indígena Kadiwéu que eu representava, mas devo dizer que a “recortei” das fotografias em que aparecemos juntos no evento. Se fosse minha mãe, eu diria que a “namoradinha do Brasil” morreu há tempos e que se não tem nada de aproveitável, de verdadeiramente amoroso/ solidário para dizer ao povo brasileiro enlutado, que se cale e volte para o túmulo, a vala do esquecimento em que se encontram outros tantos “mortos em vida”, grotescamente semelhantes à senhora.... Que vergonha! Ah, se fosse minha mãe!

 

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