23 de setembro de 2021
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: FELIZ ANO... NADA! TUDO! ENTÃO, COMO É QUE É?

Giovani José da Silva
30 DEZ 2020 - 10h45min

         Penúltimo dia do ano da graça de 2020, último texto do ano para a errática coluna Histórias de admirar e... Nada! Eu poderia aqui escrever o quanto aprendemos com a pandemia, o quanto seremos melhores depois disso tudo, mas o fato é que... Se aprendemos algo é, ainda, muito pouco em relação ao que de fato importa aprender. Em meio ao caos, tivemos eleições municipais e o Brasil que emergiu das urnas eletrônicas é, uma vez mais, o país que todos (re)conhecemos e, por vezes, negamos: racista, homofóbico, misógino, excludente, desigual, preconceituoso etc. E por que somos assim? E por que fazemos de conta que não somos assim? Insistirei na ideia-sentimento que venho defendendo nos últimos sete anos em que escrevo para O Pantaneiro: falta-nos Educação! Falta-nos Educação Básica de qualidade, acessível a todos, que garanta que gentes entrem nas escolas ainda muito pequenas e saiam delas adolescentes/ jovens/ adultos/ idosos que saibam o básico: ler, escrever, contar e... ler o mundo a sua volta! Sim, porque enquanto oferecemos aos poucos (muito) ricos um ensino livresco/ enciclopédico e dizemos que isso é ensino de qualidade (por meio de ridículas apostilas), aos muitos (muito) pobres são oferecidas algumas migalhas, além de um conformismo atroz, de que tudo é assim, pelo menos desde os tempos das capitanias hereditárias (instituídas a partir de 1530 em Terra Brasilis, para você que aprendeu a decorar datas e nomes nas aulas de História e acha que isso, e somente isso, seja estudar a história do Brasil...). Nossas narrativas escolares, assim, apresentam o mundo tal qual ele é, produto da única forma possível (?) de organização socioeconômica, cultural e política que é o Capitalismo! Não existem utopias, sejam de que ordem for, nem mesmo pequenos desejos/ esperanças de que as coisas/ os mundos possam ser diferentes. Alunos, colegas e amigos vivem me perguntando por que não dedico preciosas horas de minha vida a combater o atual governo federal e, sem me furtar ao debate, tento explicar didaticamente que os nossos problemas não estão somente em Brasília. Eu não sei vocês, caros leitores, mas eu encontro/ encontrei figuras do quilate do presidente da República – com toda a repulsa que ele é capaz de provocar às gentes sensatas – desde a mesa de refeições em família, passando por ambiente de trabalho, escolas onde acompanho os estágios de meus alunos universitários e outros tantos lugares... Como decidi viver em “grotões” / “sertões” desde os 18 anos de idade, sei bem o que é lidar com “coronéis”, gentes “grã-finas e importantes” ou que nunca tiveram o pudor de perguntar “Você sabe com quem está falando?”. Saímos de um regime de escravidão de africanos e seus descendentes (hoje maioria da população brasileira) há pouco mais de 130 anos, quase o mesmo tempo em que deixamos de ser uma exótica monarquia dos trópicos (há quem ainda tente reabilitar a figura de D. Pedro II, atribuindo ao imperador, inclusive, uma sanha abolicionista!) e passamos a ser República. Diga-se de passagem, o evento comemorado nas escolas como Proclamação foi um golpe de Estado, o primeiro de muitos vividos por nossa frágil democracia ao longo de pouco mais de um século. A quem queremos enganar? Estamos longe de ser o povo cordial, hospitaleiro e com “samba no pé”, apregoado em canções altaneiras, palanques eleitoreiros e escolas de Norte a Sul deste país... Quem nos comanda hoje politicamente (estou me referindo a todos, sem distinção de partidos ou de esferas de poder) é apenas e tão somente reflexo deformado de um país construído incialmente por ávidos colonos, entre os quais abundavam aventureiros e criminosos, e inúmeras populações indígenas que, quando não exterminadas, foram escravizadas e violentadas, silenciadas e ridicularizadas. A este amálgama somaram-se africanos trazidos à força (há quem negue o fato!), na condição de gentes inferiores e escravizadas e, mais tarde, migrantes europeus, desejados por serem brancos/ civilizados, capazes de nos redimir enquanto povo mestiço e bastardo... Isso tudo aconteceu nos últimos séculos, sabiam? Ah, desculpem se suas aulas de História, na Educação Básica, se concentraram em te informar sobre o Império Carolíngio, além de fornecer uma lista de reis/ imperadores, faraós, presidentes, ensinando que quem manda são homens, brancos, preferencialmente cristãos e que se sempre foi assim, assim será... E vocês aí, caros leitores, desejando que o ano termine logo, como se, num passe de mágica, nos transformássemos em outra coisa, diferente do que fomos/ somos... As mudanças ocorrerão, mas elas não virão a curto prazo! Precisaremos ter mais do que paciência, resiliência (ou espírito empreendedor): precisaremos de coragem, inclusive para se sentar à mesma mesa com aqueles a quem chamamos de “gado” ou de outros nomes menos auspiciosos, para iniciar a mudança desse estado de coisas... Precisaremos de livros, em um país que ainda lê pouquíssimo, quase nada; de professores que desejem emancipar seus estudantes e não os inserir em alguma “seita” ou “igrejinha” de ideias! Precisaremos, aliás, de ideias-sentimentos outros, na construção de mundos outros, de gentes outras, solidárias, cooperativas, justas, éticas, que se enxerguem e vivam como iguais! Já temos o Nada, agora queremos o Tudo (eu escrevi Tudo)! Então, como é que é?

 

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