16 de janeiro de 2021
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: NADA SERÁ COMO ANTES (SERÁ?)

Giovani José da Silva
5 ABR 2020 - 16h19min

         “Eu já estou com o pé nessa estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes[...] amanhã”! Estamos em meio a uma pandemia/ a um pandemônio e eu tomo aqui emprestada a letra da bela canção de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, lançada em 1976 (o ano que, para mim, nunca terminou...) como título (e mote) do artigo desta semana para a coluna Histórias de admirar. Que notícias me chegam dos amigos? A morte (não por Covid-19, que fique bem claro) de um – casado com uma grande amiga de infância –, situações de perigo vividas por outros, completa alienação (confundida com isolamento social) vivenciada por outros tantos: enfim, não tenho certeza alguma se sairemos tão diferentes de tudo isso depois que as ameaças do Coronavírus passarem, como alardeiam alguns otimistas... Esses mesmos otimistas têm acalentado as esperanças de que seremos melhores depois da pandemia, de que, com certeza, “resistindo na boca da noite [haverá] um gosto de sol”. Será? Sou um professor de História e, portanto, penso ter aprendido algumas coisinhas sobre como os seres humanos se comportam após vivenciarem (e sobreviverem a) grandes tragédias: como seres humanos, oras! Isso significa que, historicamente, não temos o “costume” de aperfeiçoar nossos “costumes” e nem de criar uma “nova civilização”. Foi assim após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), durante e depois da Segunda Grande Guerra (1939-1945) e tem sido assim através dos tempos, especialmente nos últimos séculos... Pessimista, alguns diriam. Eu, por minha vez, me consideraria realista, demasiadamente realista. É claro que o pandemônio instalado em todos os quadrantes do planeta (alguém me diz, por favor, onde estão sendo veiculadas as notícias sobre o “esparramo” do Coronavírus em países africanos e demais latino-americanos?) provocará mudanças drásticas e profundas em muitos, mas esperar que em conjunto desafiemos o status quo, o que está aí desde que o capitalismo se assenhoreou de mentes e corações mundo afora (não me venham dizer que a China é comunista, está bem?) é, no mínimo, questionável. Muitos dos que falam hoje que passadas algumas semanas, alguns meses ou, quem sabe, anos, tudo voltará ao normal, se esquecem que foi justamente o considerado “normal” quem trouxe o planeta Terra e seus habitantes ao ponto onde nos encontramos: mortes, colapso, ameaças... O “normal” seria a continuidade da enorme desigualdade em que vivemos, com pouquíssimos com tanto (dinheiro, poder etc.) e bilhões de miseráveis? Seria a imensa produção de toneladas e mais toneladas de lixo por dia/ por mês/ por ano? Seriam o consumo desenfreado, a competição exacerbada e o hedonismo (ensinados todos os dias nas casas, nos templos religiosos e nas escolas, dentre outros lugares) como modus vivendi e modus operandi? Aprendi com anciãos e anciãs indígenas, com quem tive o privilégio de conviver, especialmente ao longo de minha juventude, que o “normal” seriam rios de águas límpidas, relações sociais mediadas pela solidariedade, pela cooperação/ colaboração, pela partilha igualitária e justa do pão e de outros alimentos. Não, caros leitores, não estou falando de utopias – muito menos em tempos de distopias ou antiutopias –, mas da real possibilidade que temos de (re)fazer nossas existências, transformando-nos e transformando o mundo a nossa volta. Tampouco me refiro ao mundo todo, inatingível para braços tão curtos, mas aquele que realmente encontra-se ao nosso redor, a começar por nossos vizinhos. Quantos de nós não se encontra nesse momento de pandemia descobrindo que possui gentes que vivem ao seu lado e cujos nomes sequer eram conhecidos? E quantos de nós tem se dedicado a saber/ sentir como está aquele colega de trabalho, aquele amigo de infância, os que não possuem famílias próximas a si e que precisam, também, de atenção e cuidado em tempos de isolamento social? Encontro-me isolado (faz algum tempo) aqui no meio do mundo, de onde escrevo e trago-lhes verdades: lamento, mas não sinto que seremos melhores depois de toda essa experiência, apenas distintos (para o bem e/ ou para o mal) de quando tudo isso começou (e quando foi mesmo que começou?). “Num domingo qualquer, qualquer hora, ventania em qualquer direção, sei que nada será como antes, amanhã”. O que temos para hoje, amanhã e depois de amanhã, senhoras e senhores, é o lidar com nossas mazelas e torpezas, nossa crônica falta de Educação (em todos os sentidos), com a ausência de perspectivas outras, de outros mundos possíveis que nos façam resistir para (re)existir. Não sei, exatamente, se “nada será como antes”, mas antes que termine todo esse palavrório dominical, permita-me perguntar: “Que notícias me dão de você?”

 

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