28 de fevereiro de 2021
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: NÃO HÁ LUGAR PARA TODOS NO PÓDIO

Giovani José da Silva
15 JAN 2021 - 13h28min

         Prestes a completar três meses da exibição de minha participação no quadro “Quem quer ser um milionário” (do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo de Televisão), ocorrida em 17 de outubro do ano passado, decidi (começar a) escrever sobre aquela incrível experiência. É fato que vivemos em uma sociedade que preza/ promove determinados valores, tais como a competição exacerbada, a busca por sucesso/ fama a qualquer custo, a luta desenfreada por bens materiais, além do hedonismo (dedicação ao prazer como estilo de vida). Somos bombardeados por propagandas/ campanhas publicitárias em que padrões de beleza, certos modos de viver, jeitos/ ideias/ sentimentos vão sendo inculcados cotidianamente até que, sem perceber, nos encontramos socialmente enfermos. Muitos recorrem à drogadição compulsiva, à fuga da realidade imediata (que é sempre múltipla e controversa) e buscam/ encontram outras maneiras de lidar com situações que são complexas e diversas, mas que não escapam às escolhas que fazemos como coletividades que (ainda) somos. Mas, Giovani, perguntariam os caros leitores, o que todo esse discurso tem a ver com a tua presença na TV, em rede nacional/ mundial? Ora, se prestarmos bastante atenção ao que ocorre a nossa volta, perceberemos que muitos de nós alimentam o desejo de se tornarem ricos, famosos ou coisa equivalente, sem se importar com o coletivo. O individualismo nocivo (em contraposição à individualidade sadia), potencializado pelas mensagens/ emissões que recebemos todo santo minuto, é a ordem do dia, da semana, do mês, do ano... E, no meio disso tudo, vejam só, decidi participar de um programa de televisão de perguntas e respostas, campeão de audiência aos sábados à tarde. Sempre gostei desse formato televisivo, desde os tempos de Jota Silvestre em “O céu é o limite”/ “Show sem limite”. Participei na juventude, inclusive, de dois programas de auditório da TV Cultura, os inesquecíveis “Enigma” e “Janela Indiscreta” (do qual fui vencedor, em equipe). Pois bem, tinha feito minha inscrição há tanto tempo no site que já havia até esquecido. Para minha grata surpresa, no início de 2020, antes da pandemia/ do pandemônio que tomou conta de nossas vidas, a produção entrou em contato comigo e perguntou se eu ainda estaria interessado em me submeter à exposição pública. Depois de entrevistas, testes “de inteligência” e de muita expectativa, finalmente fui chamado para acertar, no Rio de Janeiro, a minha participação. Em 19 de agosto de 2020, depois de viajar de Macapá ao Rio e de testes de COVID-19 (todos negativos), entrei nos Estúdios Globo, em Jacarepaguá, mas não pude gravar naquele dia, ficando para o dia seguinte. Nervoso? Nem um pouco! Como puderam notar, quando da exibição do programa, estava calmo, sereno, o que levou alguns telespectadores a questionarem se tomei alguma coisa antes de iniciar a gravação (posso garantir que não!). Como demorei a ser chamado, pude relaxar e adormeci no camarim que me fora oferecido. Ah, como aquilo me fez bem, caros leitores! Sonhei com meus “encantos de luz” (gentes que passaram por minha vida, deixando suas marcas, e hoje vivem na aldeia da memória) e ouvi atentamente todos os seus conselhos. Assim, entrei no palco para interagir com o apresentador Luciano Huck (uma figura extremamente simpática e acolhedora) pleno e sabedor do que queria fazer ali. Não, eu não imaginava ir tão longe no jogo (cheguei à pergunta 14, de um total de 15) e nem receber o dinheiro que, afinal, conquistei... Eu desejava contar a história de minha mãe, “a mais bela flor da fronteira”, honrar a memória de meu pai, João, o “caipira de Sertãozinho”, falar sobre a importância da Educação Pública e a respeito das sociedades indígenas em nosso país. Por meio da participação de Dona Gregoria, pude celebrar as milhares de famílias chefiadas por mulheres, Brasil afora, que ficaram viúvas (como a minha mãe) ou que foram abandonadas por seus companheiros... Até chegar ao programa eu não tinha Twitter e nem Instagram e nem era meu desejo (ainda não é!) ter milhões de seguidores em redes sociais, ser popular/ endinheirado/ cobiçado. Sabem por quê? Porque ainda que as sedutoras propagandas (inclusive uma recente, protagonizada por certo rapper para um questionável conglomerado educacional) apregoem que basta você lutar, empreender e estudar (nas tais EAD pagas...), que você conquistará o seu “lugar”, brilhará, é fato que no tipo de organização social-política-econômica-cultural-espiritual que escolhemos (?) viver não há lugar para todos no pódio...

 

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