25 de setembro de 2020
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: OBRIGADO, SÃO PAULO!

Giovani José da Silva
25 JAN 2020 - 15h43min

      Nascido e criado na capital paulista, há (quase) 48 anos, não poderia deixar de escrever sobre a cidade de São Paulo que, neste sábado, completa 466 anos de existência. Fundada como povoação com o nome de São Paulo de Piratininga, a cidade surgiu em 25 de janeiro de 1554, com a construção de um colégio jesuíta por doze religiosos, dentre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí (hoje, bastante poluídos, infelizmente...). “A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele dedicamos nossa casa!”. Com tais palavras, Anchieta comunicou por escrito aos seus superiores da Companhia de Jesus o surgimento da povoação que viria a se tornar a cidade mais populosa do Brasil, do continente americano, do mundo lusófono e de todo o Hemisfério Sul. Uau! E pensar que eu a deixei 30 anos atrás, em busca da realização de sonhos profissionais: o de me tornar professor de História e antropólogo... Realizei ambos os desejos, não sem sacrifícios, pois para um menino que cresceu na periferia da chamada Grande São Paulo (da qual Guarulhos faz parte, assim como outras 38 cidades), as chances de “dar certo” naqueles anos finais dos 1980 eram praticamente nulas. Tendo a oportunidade de fazer USP, Unesp ou mesmo Unicamp, decidi que era hora de deixar o ninho e sair em busca de meus próprios caminhos, para conhecer índios “de verdade” e não apenas os “de papel”, tão apreciados por paulistas (dentro e fora das universidades). Por isso vim para Mato Grosso do Sul, morar em Aquidauana e estudar na UFMS, onde iniciei a carreira que me deu pão e fortuna (no sentido de ventura ou júbilo e não de riqueza material, que fique bem claro). Deixei São Paulo para trás, mas a cidade nunca me deixou completamente: eu a carrego no sotaque característico (acentuado, quando fico nervoso), nos gostos culinários/ gastronômicos, no jeito de ser cosmopolita e caipira, ao mesmo tempo. Como esquecer das bibliotecas públicas, frequentadas desde muito pequeno (especialmente a municipal Monteiro Lobato, na Vila Buarque); dos teatros do Bixiga (outrora um bairro pujante), onde eu vi na adolescência/ juventude, uma porção de espetáculos, conduzido pelas mãos de meu professor de Arte; dos parques e praças, alguns dos poucos refúgios verdes em meio à imensa selva de pedra/ concreto? Cresci em São Paulo nos anos 1980, em meio a comícios pelo fim da ditadura civil-militar, em meio a peças de teatro em que tínhamos a oportunidade de conversar com os autores/ atores (foi assim, por exemplo, com Plínio Marcos), em meio a shows de música da melhor qualidade (como esquecer Jane Duboc, Leila Pinheiro, Tarancón, Ná Ozzetti e tantos, tantos outros talentos vistos/ ouvidos ao vivo?). São Paulo me deu, parafraseando Gilberto Gil, régua e compasso, além de esquadro e prumo! Mesmo reconhecendo todos os problemas crônicos presentes na antiga São Paulo de Piratininga, ouso afirmar que é o melhor lugar do mundo... para um paulista/ paulistano como eu. É por isso que ano que vem, de malas e cuias, voltarei a viver em minha terra, a fim de cuidar de minha mãe e de me cuidar melhor. Ter dado um giro (enorme) pelo Brasil nos últimos 30 anos foi muito bom e importante para meu crescimento: vivi em 6 Estados da Federação (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amapá), em inúmeras cidades, grandes e pequenas, mas sempre levando comigo a verve paulistana. No momento, quem diria, me dedico a estudar o Teatro produzido por Anchieta, um dos fundadores da cidade que tanto amo, buscando compreender Arte, Pedagogia e Religiosidade em autos encenados no final do século XVI naquela que é hoje uma das dez cidades mais populosas e influentes do planeta, onde tudo (ou nada) pode acontecer. Por tudo o que me deu, me tem oferecido e (tenho certeza) ainda me oportunizará, só me resta dizer, em mais um 25 de janeiro: Obrigado, São Paulo! “É nóis, mano!”

 

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