25 de junho de 2022
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR (SÉRIE TELENOVELAS): PANTANAL II

Giovani José da Silva
24 ABR 2022 - 11h33min

      Pantanal, telenovela criada por Benedito Ruy Barbosa e escrita em nova versão por Bruno Luperi, neto do veterano dramaturgo, estreou em 28 de março, voltando às telas na mesma emissora que havia inicialmente rejeitado a trama, então intitulada Amor pantaneiro por seu autor original. As chamadas publicitárias que antecederam a estreia mostravam um elenco de “astros” e “estrelas” da TV em cenas majestosas e bem fotografadas/ musicadas. No dia 19 de março publiquei na coluna Histórias de admirar um texto que não poupou críticas à prosódia e à escalação de certos artistas. Como não faltam (muitos) críticos elogiosos à novela, cabe a mim, dentre outros, fazer um contraponto saudável e necessário. A primeira fase foi interessante? Sim, muito envolvente, mas a escalação de Irandhir Santos (43 anos), na pele de Joventino Leôncio, como pai de Renato Góes (35 anos) foi, no mínimo, inusitada. Além disso, o ator que faz o Joventino envelhecido, Osmar Prado (Velho do Rio), é muito mais baixo que Irandhir (1m81 x 1m60). Pode isso, produção? A Maria Marruá, de Juliana Paes, que parecia hiper sexualizada nas chamadas, mostrou esforços da atriz em se livrar do estereótipo da “gostosa” (como se verifica, por exemplo, na reexibição de O Clone). Contudo, pede-se calma aos leitores, pois, assim como para a “menina” que faz Juma, Alanis Guillen, seriam necessárias muitas horas de “laboratório” à Paes na composição de uma mulher pantaneira. E chegamos, finalmente, à escalação mais problemática da segunda fase: a de Joventino, filho de José Leôncio. Jesuíta Barbosa, de 30 anos de idade, teve sua caracterização como jovem urbano bastante exagerada e estereotipada, parecendo mais um daqueles atores de Malhação, tentando se comportar como adolescentes (que não eram, já que a maioria tinha idade superior a 20 anos). Continuo, à essa altura do “campeonato”, não vendo gentes com “cara de índio”, gentes negras, gentes ribeirinhas de peles escuras, queimadas de sol (os peões da nova fase parecem mais “agroboys” saídos de uma festa country), com seu falar pantaneiro, seu jeito próprio de entender/ sentir/ explicar/ representar o mundo das águas, de visíveis e invisíveis. Atores/ Atrizes de peles muito alvas, de olhos azuis/ verdes proliferam na tela de um Pantanal “tipo exportação”, para inglês ver. Sem indígenas, os habitantes originais do Pantanal pelo menos desde o final do século XVIII e início do XIX, está difícil criar a atmosfera pantaneira de maneira crível/ verossímil. Faltou/ Falta a Bruno Luperi, herdeiro intelectual de Benedito Ruy Barbosa, pesquisas sobre Guató, Kadiwéu, Kinikinau e Terena, dentre outros grupos nativos, atualizando aquilo que a trama original tinha de mais “capenga”: a ocupação do Pantanal, mesmo no século XX, com a formação de latifúndios intermináveis, se fez com o extermínio e a exclusão de inúmeras populações indígenas que lá viviam/ ainda vivem, resistindo a toda sorte de violências. Eu mesmo tive a honrosa tarefa de, no começo dos anos 2000, elaborar para a Funai o relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Baía dos Guató, localizada hoje no Pantanal de Mato Grosso, entre Barão de Melgaço e Poconé. Espremidos entre “propriedades agropecuárias” e resorts de gentes (muito) brancas, os Guató viviam, à época, em cima de um pequeno aterro e eram proibidos de circular livremente pela região, outrora ocupada por milhares de parentes. No Pantanal de Luperi e de seu avô escritor, os indígenas estão completamente “limados” da história e a ocupação de extensas áreas para a criação de gado parece ocorrer sempre com levas migratórias de gentes não nativas, dispostas a “empreender” para enriquecer. Sem contar que se fala pouco (ou nada) sobre a depredação/ degradação das paisagens pantaneiras, em função da pecuária extensiva (os Kadiwéu que o digam, sendo obrigados a “conviver” com fazendeiros em suas terras há quase um século), que provoca imensos impactos ambientais e socioeconômicos. Aliás, pergunta-se: se até os indígenas Kadiwéu possuem internet em suas aldeias, como é que os negócios de José Leôncio sobrevivem aos “tempos modernos” de forma tão “rústica”? Se há qualidades a serem exaltadas na telenovela, e que puderam ser observadas já nas chamadas publicitárias, é preciso dizer que Pantanal padece da falta de consultoria, de pesquisa mais acurada e, sobretudo, de bom senso na escalação de alguns atores e atrizes, de modo que a trama faça jus à história do Pantanal... Ah, sem tantos anúncios comerciais despropositados em meio à narrativa, sem personagens que não envelhecem (caso de Mariana, interpretada por Selma Egrei) e sem “dancinha” pra boi dormir, por favor!

 

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