25 de junho de 2022
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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR (SÉRIE TELENOVELAS): PANTANAL

Giovani José da Silva
19 MAR 2022 - 19h29min

         “São como veias, serpentes os rios que trançam o coração do Brasil. Levando a água da vida, do fundo da terra, ao coração do Brasil...”. A música de Marcus Viana, executada pelo próprio artista e a Transfônica Orkestra, voltou a ecoar nas últimas semanas pelos aparelhos de televisão, Brasil afora, evocando a telenovela de grande sucesso de 1990, “Pantanal”, da extinta TV Manchete. Exibida entre 27 de março e 11 de dezembro daquele ano, em 216 capítulos, a trama de Benedito Ruy Barbosa sucedera a Kananga do Japão e se tornara uma “dor de cabeça” para a Rede Globo de Televisão, dado o estrondoso (e inesperado) êxito, tanto de crítica quanto de audiência. Anos antes, a mesma Globo havia “engavetado” o projeto de “Amor pantaneiro”, título original da obra. Ocorre que, no próximo dia 28 de março, “Pantanal” voltará às telas, desta vez na emissora que a havia inicialmente rejeitado. As chamadas publicitárias mostram um elenco de “astros” e “estrelas” da TV em cenas majestosas, bem fotografadas e embaladas pelas mesmas músicas de Viana e companhia.  E aí começam os problemas...  A prosódia (sotaque/ linguajar) está, o mínimo a ser dito, estranha! É um “caipirês” típico das novelas globais (“Pantanar”/ “afinar”/ “mar” etc.), mas que destoa muito do falar pantaneiro. Maria Marruá (que saudades de Cássia Kiss) parece (eu escrevi “parece”) hiper sexualizada, o que já mostra que a escalação de Juliana Paes pode ter sido um equívoco dos grandes... Aliás, a “menina” que fará Juma deve achar que é só fazer um olhar lânguido e já está tudo resolvido (afinal, vi em uma reportagem da TV que ela foi escolhida porque tem cara de onça...). Alanis Guillen (a nova Juma) parece não ter entendido o que era necessário para compor uma jovem mulher pantaneira, forte e frágil ao mesmo tempo. Antes que alguém diga que é apenas a minha opinião (ácida/ azeda/ crítica demais), lembro aos caros leitores que estudei interpretação e sou formado em Teatro, já preparei atores (para a telenovela “Alma Gêmea”, atualmente em exibição no Canal Viva), então devo entender um “cadinho” do ofício. Finalmente, mais um Pantanal sem indígenas (como se aquelas terras estivessem “virgens”, esperando o colonizador “branco” para se apossar delas) e com poucas personagens negras... Uma pena! Morador por mais de vinte anos no “coração do Brasil”, posso garantir que nunca ouvi essa esquisita prosódia “caipira piracicabana” por essas bandas de Mato Grosso do Sul (e nem pelas bandas do Pantanal de Mato Grosso)... Contudo, vi muitas gentes com “cara de índio”, gentes negras, gentes ribeirinhas de peles escuras, queimadas de sol, com seu falar pantaneiro, seu jeito próprio de entender/ sentir/ explicar/ representar o mundo das águas, de visíveis e invisíveis. O Velho do Rio/ Joventino Leôncio, que será interpretado na nova versão por Osmar Prado, espera-se, terá a função de colocar esses dois universos em relação/ diálogo/ confronto. Volto a dizer que sem indígenas, ficará difícil criar a atmosfera pantaneira de maneira crível/ verossímil. Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa e seu herdeiro intelectual, tinha à disposição as histórias de admirar dos Guató, Kadiwéu, Kinikinau e Terena, dentre outros grupos nativos, mas preferiu, ao que tudo indica, um Pantanal de gentes (muito) brancas, como já visto em outras tantas telenovelas “regionais” da mesma emissora (o exemplo mais recente e flagrante foi “Segundo Sol”, de João Emanuel Carneiro, de 2018). Por outro lado, há qualidades a serem exaltadas e que já podem ser observadas nas próprias chamadas. É bom ver, por exemplo, Dira Paes em destaque no papel de Filó – além de Marcos Palmeira (em que pese seu estranho “sutaque”) –, e Paulo Gorgulho atuando, e ouvir as inspiradas composições de Marcus Viana, ainda que pareça um pouco “preguiçoso” o repeteco musical! Aguardemos pelos próximos capítulos...

 

P. S.: Devido à pandemia e ao fato de quase ter morrido de COVID-19, havia parado de escrever para a coluna e permaneci “em silêncio” por cerca de dois anos. Agradeço, pois, a Rhobson Tavares Lima o renovado convite para voltar às histórias de admirar, desta vez em uma série sobre teledramaturgia. Ainda pretendo voltar a “Pantanal” outras vezes, ao longo da exibição da telenovela, sempre com olhos e ouvidos atentos, além de meu espírito pantaneiro.

 

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