14 de maio de 2021
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Paulo Corrêa de Oliveira

RÁPIDAS IMPRESSÕES DE UM PEREGRINO PELA TERRA SANTA- I

dothCom Consultoria Digital
15 FEV 2021 - 13h34min
Tinha vontade de conhecer a Terra Santa. Procurei uma agência de viagem e sua programação, pela internet. Queria uma excursão não pelo olhar descompromissado de um turista, mas sobre tudo, pelo olhar reverente da fé, uma verdadeira peregrinação religiosa. Consegui.
 
Chamou-me a atenção a propaganda intrigante do Ministério de Turismo de Israel: “Visite Israel – você nunca mais será o mesmo”.
 
Fomos acompanhados na viagem, a partir do vôo de São Paulo, pelo guia da agência escolhida e por um padre católico, Padre Antonio Carlos Fernandes, que seria o diretor espiritual do grupo. No primeiro encontro geral com esse sacerdote, em terras estrangeiras, ele se dirigiu a todos afirmando: Não foram vocês que escolheram este peregrinar pela Terra Santa, mas o próprio Cristo que escolheu vocês para esse fim, aliás, como sempre procedeu, escolhendo previamente seus amigos.
Acreditamos, no nosso caso, que isso deve ter acontecido. Os peregrinos e o próprio padre faziam parte da Paróquia N.S. de Lourdes de Poá, Estado de São Paulo. Eu e minha esposa, de Mato Grosso do Sul, éramos os únicos que não fazíamos parte dessa comunidade. Até hoje ainda não entendemos como a internet nos permitiu essa invasão paroquial.
 
No Monte Tabor, montanha no norte da região da Baixa Galileia, onde houve a transfiguração de Cristo, começou o nosso abobalhar histórico-geográfico com os escritos do Evangelho. O Monte Tabor é um monte, com cerca de 660 metros de altura, aonde se chega ao cume por uma estrada íngreme e tortuosa e é vencida somente por carros menores do que um ônibus. Percebemos, lá do alto, o que representou para Jesus, Pedro, Tiago e João, como narra o Evangelho, o esforço físico para alcançarem aquelas alturas. Principia aí também nossa vivência incorporada com a realidade dos escritos de 2000 anos atrás.
 
Outro monte, o Monte das Beatitudes, onde ocorreu o Sermão da Montanha. Neste local, tivemos uma missa ao ar livre na encosta da elevação, com vista para o Mar da Galiléia. Foi um momento de emoção, sobretudo ouvindo a belíssima passagem das Bem-Aventuranças pelo nosso diretor espiritual no local em que foram proclamadas há tantos anos atrás. Éramos confortados por uma amena brisa refrescante, à sombra dos arvoredos, e, vendo abaixo, as águas doces do Mar da Galiléia. 
O rio Jordão nos surpreende pelo pouco volume de suas águas e pela mansidão de sua correnteza, diante da responsabilidade que tem de abastecer o Mar da Galiléia e, em seguida, o Mar Morto. Não dá para perceber a direção em que ele corre, pelo menos no local em que o vimos. Ali, nosso Padre entrou nas águas até a canela e, molhando um ramo de oliveira no rio Jordão, aspergiu água sobre cada um de nós, os peregrinos, confirmando nosso batismo. Pelos olhos da fé, e da tradição milenar, foi para nós um ato particularmente inesquecível.
 
A maior surpresa nos aguardava no encontro com o deserto, nas redondezas do Mar Morto. Nosso imaginário via o deserto como um lugar de areias onduladas pelo vento a se perder de vista. Nada disso, o deserto que estávamos vendo era muito mais agreste. Numa paisagem lunar, era uma sucessão de pedras calcárias, formando elevações e precipícios colossais. E refletia o calor do sol num dos pontos mais baixos da superfície da terra. O Mar Morto está a cerca de 400 metros abaixo do nível do mar. Estávamos frente a um platô calcário entre as ruínas de um monastério dos essênios, em Qumran. Ali próximo, em 1947, dois pastores beduínos descobriram acidentalmente numa caverna textos bíblicos com cerca de dois mil anos atrás. Provavelmente, o local marca a passagem de São João Batista pelo deserto e, talvez um pouco além, o local onde Jesus jejuou 40 dias, antes de iniciar sua vida pública. Dá para perceber, e sentir na pele, a ambientação desses dias de meditação para o começo de sua missão neste mundo. 
 
Em Ein Karen, também numa elevação, conhecemos o local onde morava Zacarias e Isabel, pais de João Batista. A Igreja da Visitação, projeto do arquiteto italiano Antonio Barluzzi por encomenda do Papa e, como várias outras que assinalam locais sagrados de Israel, foi edificada em 1935, sobre essa casa e sobre as ruínas de uma igreja anterior construída no século IV. Nela existe uma rocha, onde a tradição nos conta que o pequeno João foi aí trancado e escondido durante o Massacre dos Inocentes. Pois bem, lemos no Evangelho de Lucas (1:39-40): “Naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, e entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel”. Pela simples leitura, parece-nos uma visita de Maria, no impulso de um momento de lazer, para visitar sua prima. Outra vez, nosso abobalhar histórico-geográfico: Nazaré dista cerca de 100 quilômetros de Ein Karen. Estradas com aclives e declives acentuados. Ein Karen fica numa elevação respeitável. Como pode realizar, Maria, uma menina-moça, esse trajeto? Certamente acompanhou alguma caravana de mercadores que fazia o trajeto, para não caminhar perigosamente sozinha. Além do mais, já estaria inconfortável nos seus primeiros meses de gravidez. Realmente, aquela foi uma visita com um significado pleno para o futuro mundo cristão.
 
O Evangelho, na Terra Santa, ganha uma humanidade e uma avaliação de quanto suor e lágrimas foram derramados para escrevê-lo.
Daremos continuidade a essas Impressões de um Peregrino num segundo artigo. Mas, já podemos adiantar que, à luz da fé, o slogan promocional da visita a Israel, para nós, se tornou realidade: nossa vida nunca mais será a mesma!
 

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