Fernando da Silva Batista
Há números que não mentem. Segundo dados recentes do Observatório Nacional de Segurança Viária¹, a cada hora dezenas de pessoas se envolvem em acidentes de trânsito no Brasil. Esses números, frios e objetivos, carregam histórias de vidas destruídas, famílias abaladas e sonhos interrompidos.
Na estatística, sabemos que, quanto maior a frequência de um comportamento de risco, maior a probabilidade de um evento indesejado ocorrer. É como lançar um dado viciado: a face marcada para o azar sempre aparece cedo ou tarde.
No trânsito, o “dado viciado” chama-se imprudência.
Ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade, uso do celular ao volante, deixar de sinalizar ou sinalizar errado o que vai fazer. Cada ato imprudente soma pontos invisíveis numa conta que só fecha no pior dia possível. A matemática é implacável: se o risco é constante o acidente é inevitável. Pode não ser hoje, pode não ser amanhã, mas mais dia, menos dia, ele acontece.
E a estatística nos oferece algo além dos diagnósticos; ela nos oferece alertas. Cada gráfico de sinistros no trânsito é, na verdade, um aviso silencioso de que o comportamento seguro não é apenas recomendável, mas essencial. Ao contrário da roleta russa, no trânsito todos os “jogadores” estão no mesmo tabuleiro — e a imprudência de um pode custar caro a muitos.
A boa notícia é que, assim como os números revelam a tragédia, eles também mostram a solução: cidades com mais fiscalização, mais educação no trânsito e motoristas mais conscientes registram quedas significativas nos índices de acidentes. A estatística, nesse caso, é esperança.
Porque se o “mais dia, menos dia” vale para a imprudência, também vale para a mudança. Basta decidir que o dia de você mudar seu comportamento ao volante é hoje.
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¹ https://www.onsv.org.br/
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