17 de agosto de 2022
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Rev. Vivaldo Melo

Crônica do Cotidiano

O dia estava escuro e frio , com o céu carregado de nuvens, quando João Rosário aproximou-se do único bairro nobre de sua cidade. Na medida em que se aproximava, o coração do pobre homem começou a ser tomado por um misto de apreensão e alívio. Cansara,...

dothCom Consultoria Digital2
6 JUN 2011 - 00h00min

O dia estava escuro e frio , com o céu carregado de nuvens, quando João Rosário aproximou-se do único bairro nobre de sua cidade. Na medida em que se aproximava, o coração do pobre homem começou a ser tomado por um misto de apreensão e alívio. Cansara, nas últimas semanas, de procurar emprego e de deixar seu currículo, até respeitável para um trabalhador comum, em diversas empresas.

Foi na volta de uma dessas caminhadas que ele passou em frente da maior residência que já tinha visto em sua vida. Já era noite. Embora cansado, pôde observar uma senhora, provavelmente com a família, saindo pela exuberante porta principal. A Bíblia debaixo do braço e um cântico nos lábios denunciavam a fé cristã. João nunca mais conseguira esquecer uma frase da canção, que dizia "o amor de Jesus é maravilhoso!".

Apesar de nunca ter chegado ao ponto de mendigar o pão à alguém, João acabara sendo vencido pela extrema necessidade de ter pelo menos algo para comer. Achava humilhante recorrer a estranhos. Mas, sem vínculos familiares além do núcleo de sua própria casa, não viu outra alternativa. Fora a carência extrema, enfim, a razão principal de bater à porta daquela casa.

Não cético, mas um pouco decepcionado com uma experiência do passado, que preferia não lembrar, afastara-se da prática de freqüentar uma Igreja. Mas, nunca deixara de acreditar nos valores da fé cristã. Sempre fazia lá suas orações a Deus e esforçava-se por viver de maneira correta, para dar bom exemplo aos dois filhos, Antonio e Lucia, e à esposa, dona Josefa.

Libertou-se da vergonha - de procurar ajuda - quando aproximou-se da grande porta daquela residência. A necessidade extrema expurgara quaisquer receios. Não sabia como começar o diálogo, mas no fundo estava tranqüilo, acreditando que suas razões seriam entendidas. Assim, quando a porta abriu-se, ele deparou-se com a mesma mulher que vira sair com a família, naquele início de noite, tempos atrás, quando ainda nutria esperanças de encontrar um lugar no mercado de trabalho.

Mas, João nunca mais vai esquecer o que seguiu-se. Foi tudo muito breve. Mas, o suficiente para produzir o momento mais constrangedor de sua vida, desses que deixa qualquer pessoa honesta corar de vergonha. Ele mal acabara de expor sua necessidade quando ouviu, dos lábios daquela mulher, uma frase que soou mais dura do que a própria fome:

- Vai trabalhar, vagabundo!

Vivaldo S. Melo
Pastor e Jornalista
www.ipbaq.com

 

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