Carlos Frederico
Para falar em motivação, em primeiro lugar vamos abordar o aspecto coletivo da motivação, recorrendo à hierarquia das necessidades.
Uma das teorias motivacionais mais conhecidas, a "Hierarquia das Necessidades", foi desenvolvida por Abraham MASLOW. As necessidades humanas, de acordo com esse autor, são dispostas como numa pirâmide, na qual as mais baixas formam sua base, enquanto no topo situam-se as mais sofisticadas e intelectualizadas.
Necessidades fisiológicas - são as necessidades biológicas ou básicas, que exigem satisfação cíclica e incessante para garantir a sobrevivência do indivíduo.
Embora comuns a todas as pessoas, necessidades como alimentação, sono e repouso, abrigo e sexo exigem níveis diferentes de satisfações individuais e uma vez satisfeitas essas necessidades deixam de ditar o comportamento humano, deixam de ser um fator motivacional importante.
Necessidades de segurança - No segundo nível das necessidades humanas, as pessoas buscam proteger-se de qualquer perigo real ou imaginário. Como as necessidades fisiológicas, as de segurança também estão intimamente ligadas a nossos instintos de sobrevivência.
No ambiente organizacional, dada a dependência do indivíduo com a empresa, as necessidades de segurança assumem uma grande importância. Decisões arbitrárias, incoerentes ou inconsistentes podem levar as pessoas a se sentirem inseguras quanto à sua permanência ou não na empresa.
Necessidades sociais - A associação com outras pessoas faz parte de nossa natureza de animais sociais. Assim, necessitamos, além da interação com o grupo, de aceitação por parte dos colegas, de laços de amizade, de afeto, de amor. Necessidades sociais insatisfeitas "ativam", por assim dizer, resistência, hostilidade e relações antagônicas, que conduzem geralmente à frustração.
Aqueles que pensam que a empresa não é lugar para amizade certamente, infelizmente, terão poucas chances de criar um ambiente no qual as necessidades sociais estejam satisfeitas.
Necessidades de estima - são aquelas relacionadas ao reconhecimento, à aprovação social, ao status do indivíduo dentro de um grupo. A satisfação das necessidades de estima, que envolve auto-confiança e auto-estima, conduz a sentimentos de valor, prestígio, poder, responsabilidade e capacidade de realização.
Por outro lado, a não-satisfação dessas necessidades implica frustração, prostração, sentimento de inferioridade e desânimo com reflexos imediatos na produtividade individual.
Necessidades de auto-realização - No topo da pirâmide de Maslow, estão situadas as necessidades mais elevadas do ser humano, aquelas que impulsionam as pessoas a realizar todo seu potencial, e se desenvolver continuamente ao longo de sua vida.
São aquelas necessidades que sempre nos levam a buscar o melhor, a superar limites, impulsionadas por uma insatisfação latente que impede o comodismo e nos faz almejar incansavelmente a plenitude de nosso desenvolvimento, de nosso talento.
De acordo com Maslow, e tomando por base a pirâmide das necessidades, as seguintes premissas se tornam válidas:
As necessidades básicas se manifestam em primeiro lugar, e as pessoas procuram satisfaze-las antes de se preocupar com as de nível mais elevado.
Uma necessidade de uma categoria qualquer precisa ser atendida antes que a necessidade da categoria seguinte se manifeste.
Uma vez que é atendida, a necessidade perde sua força motivadora, e a pessoa passa ser motivada pela ordem seguinte das necessidades.
Quanto mais elevado o nível das necessidades, mais saudável a pessoa é.
O comportamento irresponsável é sintoma de privação de necessidades sociais e de estima. O comportamento negativo é sintoma de má administração.
Há técnicas de administração que satisfazem às necessidades fisiológicas, de segurança e sociais. Os gerentes podem trabalhar no sentido de possibilitar que as necessidades de estima e auto-realização sejam satisfatoriamente atendidas.
Referência Bibliográfica
COSTA, Carlos Frederico Corrêa da Costa. Adaptador de VILS, Leonardo. Quem faz a diferença. In: Como Motivar a sua Equipe. Coleção Gestão Empresarial. São Paulo: Edições IstoÉ/Banco do Brasil, 2006. p. 16-33.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social , bacharel em Administração e Consultor Empresarial. Elaborou o projeto, implantou e coordenou o Curso de Bacharelado em Administração do Campus de Aquidauana/UFMS.
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