Carlos Frederico
Carlos Frederico Corrêa da Costa*
Consultor Empresarial
cfccosta@terra.com.br
Todos os dias, pelo Brasil afora, antes mesmo de o sol raiar, milhares de pessoas se acotovelam em ônibus, metrôs, trens, vans e outros meios de transporte superlotados, viajando diligentemente rumo a seus postos de trabalho.
Um outro tanto - não menos diligente, um pouco mais tarde e com mais conforto - segue o mesmo rumo. No final da tarde, em movimento inverso, voltam todos para suas casas, após a jornada que garante - ou que, em tese, deveria garantir - seu sustento, a satisfação de suas necessidades.
O que leva tantas pessoas enfrentar dificuldades, superar distâncias, sobrepujar o cansaço e repetir dia a dia a mesma rotina? Que impulso as impele? Que razões as empurram? O que as motiva para a ação? Será somente a garantia de sua sobrevivência?
Porque umas, por mais que superem diariamente as dificuldades, encaram-nas como um fardo, como um peso nas costas. Outras, por sua vez, estampam um orgulhoso sorriso nos lábios, independentemente da complexidade de seu trabalho.
A natureza humana é um bom começo para falar sobre motivação. Seríamos nós, seres humanos, uma espécie totalmente moldada pelo ambiente que nos cerca? Outra pergunta: teríamos nós nascido com uma mente em branco, como um quadro-negro sem nada escrito, numa situação em que nossos pais nos educam segundo suas experiências? E que, com as próprias experiências no convívio com outras pessoas e no contato com a cultura de nosso meio, transformamos e preenchemos aquela mente em branco com o que viríamos a ser um dia? Ou será que nascemos pré-programados geneticamente? E que todo nosso conjunto de valores, além das aptidões e habilidades, já nasce conosco?
Os defensores da primeira hipótese - a da tábula rasa - acreditavam que qualquer um de nós, por intermédio de um sistema de reforços (estímulos) positivos e negativos, poderia ter seu comportamento moldado.
Do lado oposto ao dos behavoristas, alinharam-se as pessoas que acreditavam na pré-programação ao nascer, para as quais não haveria por que perder tempos com estímulos para mudar o imutável ou moldar o que já estaria naturalmente moldado. Seria um esforço inútil, uma vez que os comportamentos já estariam geneticamente determinados - em outras palavras, é o velho ditado do "pau que nasce torto nunca se endireita".
Em se tratando de empresas, podemos nos perguntar: não seria correto dizer que em todas as empresas, em qualquer parte do mundo, as pessoas se preocupam com o status social, mexericam, sentem-se culpadas ou culpam os outros, retribuem o bem com o bem e o mal com o mal, apresentam certas características em comum, mas que diferem umas das outras em função de sua herança genética e do meio em que foram criadas? Parece que sim.
Para motivarmos os outros, é necessário, em primeiro lugar, conhecer um pouco da natureza humana, suas virtudes e seus defeitos. Afinal, só para lembrar: não somos todos totalmente bonzinhos. Claro que sabemos disso, mas, às vezes, é difícil admitir. Nosso grande desafio é descobrir o melhor modo de desenvolver um ambiente profissional que estimule o lado cooperativo, leal, justo e consciente da natureza humana. Tudo em consonância com um sistema que, respeitando as diferenças existentes em cada uma identifique e sintonize corretamente os "botões" de cada indivíduo, de acordo com suas características, expectativas e necessidades.
Finalmente, a grande pergunta a ser respondida é a seguinte: é normal ser feliz no trabalho? Apostamos que sim, mesmo que para isso seja necessário um empurrãozinho, uma pequena ajuda.
Referência Bibliográfica
COSTA, Carlos Frederico Corrêa da Costa. Adaptador de VILS, Leonardo. Motivação: todos têm. In: Como Motivar a sua Equipe. Coleção Gestão Empresarial. São Paulo: Edições IstoÉ/Banco do Brasil, 2006. p. 6-15.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social , bacharel em Administração e Consultor Empresarial. Elaborou o projeto, implantou e coordenou o Curso de Bacharelado em Administração do Campus de Aquidauana/UFMS
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