Carlos Frederico
Um grupo no qual cada um quer brilhar mais do que o outro, em que os participantes competem entre si para ser o melhor, o mais reconhecido, o mais badalado, onde existe a chamada "fogueira das vaidades", muito provavelmente não alcançará resultados expressivos.
É claro que existe competição dentro dos grupos. Todos gostariam de ter uma posição de destaque, mas acontece que, para o grupo se destacar, cada um deve abrir mão de parte de seu destaque individual. Porém, há quem acredite que se deva explorar ao extremo a competitividade de cada um para gerar uma saudável atmosfera competitiva e vencedora dentro de uma empresa.
Por outro lado, existem grupos que brilham mais do que seus componentes. Neles é possível detectar algumas características marcantes entre elas:
Compartilham um objetivo comum. O objetivo do grupo deve ser mais importante do que as metas individuais.
Possuem mecanismos para "expelir" os que não colaboram. A regra é: ou você faz parte do grupo, compartilha o objetivo comum e se dedica na mesma intensidade ou você está fora. Nesse sentido, apesar do aspecto positivo de se promover a homogeneidade de interesses no grupo, há que se tomar cuidado para que não se transforme em uma "panelinha".
Compartilham valores e práticas. O grupo mostra respeito às diferenças individuais, e valores como lealdade, honestidade, amizade, justiça, comprometimento são amplamente difundidos e aceitos.
Existe diversidade. Para que haja um conjunto de habilidade trabalhando em harmonia, é necessário que existam habilidades distintas dentro do grupo. Dos mais criativos aos "carregadores de piano", de disposição mais braçal, dos mais jovens aos mais experientes, dos mais aos menos brilhantes, todos são importantes e complementares.
Cooperação, cooperação, cooperação. Os participantes de um grupo entendem que, sozinhos, nunca alcançarão o brilho obtido conjuntamente. Ser o melhor jogador do torneio de uma equipe eliminada na semifinal logo será esquecido por todos. Enquanto ser parte do grupo que conquistou a medalha de ouro entra para a história.
Tomemos o exemplo de uma empresa com digamos, três departamentos principais, que formam os subgrupos: vendas, administração e produção. Vejamos como seriam as mensagens unificadoras.
A mensagem do líder poderia ser: Vamos vender com qualidade, mostrando a nossos clientes o valor que nossos produtos adicionam a seu negócio. Uma vez aumentada a percepção de valor dos clientes, teremos maiores níveis de preços e estaremos saindo da guerra de preços com fornecedores de menor qualidade. Venda com qualidade implica bons produtos vendidos a bons preços, entregues na hora combinada com prazos razoáveis para ambas as partes e pagamento em dia.
Com a mensagem unificadora permeando a organização, os departamentos passam a trabalhar na mesma direção: a produção ajudando a equipe de vendas a mostrar o impacto da qualidade do produto nos negócios dos clientes, e a administração explicando a vendas os cálculos de margem e rentabilidade dos produtos, além de manter os vendedores informados sobre contas a receber, e assim por diante. Assim, teremos os três grupos unidos por uma mesma mensagem, por um mesmo ideal, por uma mesma motivação.
Referência Bibliográfica
COSTA, Carlos Frederico Corrêa da Costa. Adaptador de VILS, Leonardo. A equipe faz a diferença. In: Como Motivar a sua Equipe. Coleção Gestão Empresarial. São Paulo: Edições IstoÉ/Banco do Brasil, 2006. p. 34-59.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social , bacharel em Administração e Consultor Empresarial. Elaborou o projeto, implantou e coordenou o Curso de Bacharelado em Administração do Campus de Aquidauana/UFMS.
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