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Carlos Frederico

O que podemos aprender com a administração japonesa

Os administradores japoneses - principalmente os administradores de empresa - agem de modo nitidamente diferente dos americanos e europeus com relação aos problemas focados por eles. Os japoneses seguem princípios diferentes para enfrentar os problemas da administração. Estas políticas (o que deve ser feito) embora não sejam a "milagre econômico" japonês, são sem dúvida fatores imprtantes que explicam a impressionante ascensão do Japão nos últimos cem anos e, em especial, seu crescimento e desempenho econômico nos últimos vinte anos.

Seria uma tolice os administradores do Ocidente imitarem os administradores japoneses. De fato, isto seria impossível. Todas as posições japonesas são profundamente arraigadas nas tradições e cultura japonesas. Todas elas se aplicam aos problemas de uma sociedade e de uma economia industrial cujos hábitos e valores foram criados muito antes pelos qaue mantinham o clã japonês, pelos sacerdotes Zen em seus mosteiros e pelos calígrafos e pintores das grandes "escolas" de arte japonesa.

Contudo, acho que os princípios em que se assentam estas práticas japonesas merecem muita atenção e estudo por parte dos administradores ocidentais. Eles podem mostrar o caminho para uma solução de alguns de nossos problemas mais prementes.

Decisões pelo consenso - Se existe um ponto em que todas as autoridades em estudos sobre o Japão estão de acordo, este ponto é o fato de que as instituições japonesas, sejam elas empresas ou órgãos públicos, tomam decisões por "consenso". Diz-se que os japoneses discutem uma decisão proposta em toda a organização até qaue se chegue a um acordo sobrfe ela. Só então é que eles tomam a decisão.

Segurança e produtividade - Assim como muitos americanos já ouviram falar de consenso como a base das decisões japonesas, muitos já conhecem as políticas de "emprego para a vida toda" dos japoneses.

É certo que a maioria dos empregados da "moderna" empresa e indústria japonesa têm emprego garantido ao entrarem para uma empresa. Enquanto estão recebendo salário pelo emprego, têm praticamente total segurança no emprego. Esta segurança só corre perigo no caso de grave crise econômica ou de falência do empregador.

Cuidado com a preparação dos jovens - Em seus mais de trezentos anos de vida como empresa, a Casa Mitsui nunca teve um diretor (o temo japonês é "banto chefe" - literalmente, "funcionário chefe") que não tenha sido um homem de destaque e um líder poderoso. Nenhuma outra instituição conseguiu igualar-se a ela nesta realização, ao que se saiba; a Igreja Católica não conseguiu, assim como não conseguiu qualquer governo, exército, marinha, universidade ou empresa.

Qual a explicação desta impressionante realização? No Japão sempre se tem a mesma resposta: até há pouco tempo atrás, o banto chefe - que nunca foi membro da família Mitsui, mas um contratado - tinha apenas uma função: desenvolvimento, seleção e colocação de administradores. Passava quase todo o tempo com os jovens que chegavam como administradores ou profissionais iniciando sua carreira. Conhecia-os. E, por isso sabia, quando os jovens atingiam os 30 anos de idade, quais eram os que tinham probabilidades de atingirem a direção, que experiências e formação eles precisavam e em que funções deveriam ser experimentados e testados.

Conclusão - Não se tem certeza de que se possa aprender com os erros de outros povos. Mas é certo que se pode aprender com seus acertos. Embora as políticas japonesas discutidas neste artigo não sejam as "chaves" do que o Japão realizou, são fatores importantes. E embora não sejam respostas para o problema do Ocidente, têm respostas para alguns de nossos problemas mais prementes, sugerem ajuda para algumas de nossas necessidades mais urgentes e mostram as direções que poderíamos explorar. Seria uma tolice tentar imitar os japoneses, mas poderíamos muito bem tentar seguir o exemplo deles.

Referência Bibliográfica
MINTZBERG, Henry (Professor na Faculdade de Administração da McGill University, em Montreal, Canadá). Trabalho do Executivo: o Folclore e o Fato. In: Coleção Harvard de Administração. São Paulo: Nova Cultural, 2002. p. 07-37. v. 3

*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social e bacharel em Administração. Elaborou o projeto, implantou e coordenou o Curso de Bacharelado em Administração do Campus de Aquidauana/UFMS

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