18 de agosto de 2022
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Rev. Vivaldo Melo

Os ratos e os que chegam ao poder...

Rubem Alves, conhecido educador brasileiro, conta histórias como ninguém. Entre elas "O sonho dos ratos". O texto relata o dia em que um bando de ratos conseguiu, finalmente, acesso a um desejável queijo, com o desaparecimento misterioso do odioso gato...

dothCom Consultoria Digital2
6 JUN 2011 - 00h00min

Rubem Alves, conhecido educador brasileiro, conta histórias como ninguém. Entre elas "O sonho dos ratos". O texto relata o dia em que um bando de ratos conseguiu, finalmente, acesso a um desejável queijo, com o desaparecimento misterioso do odioso gato que não lhes permitia a concretização de tal desejo. Nas idealizações do bando, movidas a cânticos e palmas, antes do dia tão sonhado, afirmava-se a partilha do queijo e manutenção da unidade dos tempos de miséria. Bastaram, contudo, as primeiras mordidas, para que as coisas começassem a mudar. Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. Começaram a brigar entre si. Chegaram ao ponto de alguns ratos ameaçarem chamar o gato de volta, com a alegação de que apenas assim a ordem seria restabelecida. Um projeto de socialização diferente foi então idealizado, tendo como premissa central a resolução segundo a qual qualquer pedaço de queijo poderia ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço fosse abandonado pelo dono. Como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando.

Reli essa história nesta semana. E foi impossível não lembrar de algumas manchetes que estamparam os jornais da região, nos últimos meses. Não tem faltado nas últimas semanas reuniões dos homens que desejam ter acesso ao poder, nas próximas eleições, com o discurso de que lutarão por mais justiça social e aquele blá-blá-blá todo que se repete há décadas em nossa história, nos períodos de eleição. A campanha política já começou, muito embora as nossas "leis eleitorais" proíbam-na, nesta época. Todos sabem e fingem que não sabem. E o povo iludido com as promessas que já começam a ser feitas, fazendo o papel dos ratos mais magros, discriminados da narrativa de Rubem Alves, já começa a aplaudir os que na fábula seriam os ratos líderes, vendedores de ilusões. Mais a frente certamente estará entoando as canções que os marketeiros de plantão haverão de criar em torno de seus nomes. E se um milagre não ocorrer - e esse tipo de milagre está difícil de acontecer - quando os atores deste discurso socializante chegarem lá, tendo acesso ao queijo, digo, ao poder, gostarão tanto da experiência que esquecerão os belos discursos com os quais enganaram os pobres ratos.... opa... eleitores. Na fábula do conhecido pensador, todo rato que chega ao poder, ou melhor, que vira dono de queijo, vira gato. Ou seja, tudo acaba sendo "farinha do mesmo saco", como costumava dizer em tempos passados um conhecido postulante ao cargo máximo da nação. Aliás, seu discurso e de sua trupe lembra as reuniões dos ratos, marcadas por idealismo, antes de terem acesso ao queijo. E a tendência se reproduz em nossa cultura política com impressionante freqüência.

Como mudar esse quadro? Taí uma coisa quase impossível. Não tem como fazer o povo compreender que os discursos políticos quase sempre são marcados por demagogia e não tem como mudar o fato de que até muitos cidadãos bem intencionados quando chegam ao poder, transformam-se em ratos malvados (ou gatos). A natureza humana tem atração especial pelo poder, tanto que até nas Igrejas, onde esse modelo cruel jamais deveria ter eco, muitos brigam por cargos. Por isto me estremeço quando vejo alguns, representando determinados segmentos discriminados do processo de distribuição do "queijo", se articulando, com belos discursos, para chegarem lá. Chego até fazer minhas preces por eles, mas não nego que no fundo permanece um certo ceticismo, afinal além deste fator existem as regras do jogo político, que criam diversas oportunidades para distribuição de fatias extras do queijo para os que desejarem. Para os eleitores, sobram migalhas, na forma de benefícios sociais aviltantes, alardeados na mídia como feitos extraordinários. O que fazer, então? Só Deus mesmo. E como Ele já esteve por aqui, encarnado em Cristo, e foi crucificado, talvez o melhor a fazer é procurarmos em instancias menores, pessoas que compartilhem da mesma dor e encontrarmos formas mais simples de solidariedade, onde a maior partilha seja um amor genuíno que mova-nos a dividirmos pelo menos o essencial, sem nenhuma contrapartida a não ser o próprio amor.

Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo-2008@hotmail.com / www.ipbaq.com

 

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