Fernando da Silva Batista
Vivemos rodeados por expressões imprecisas:
“— Coloca só um pouquinho de sal”,
“— Esperei muito tempo naquela fila”,
“— Ela é meio desligada”
Mas o que é “pouquinho”? Quanto é “muito”? O que exatamente significa “meio”?
Essas expressões, por mais comuns que sejam, variam enormemente de pessoa para pessoa. O “muito tempo” que você passou esperando pode ser só cinco minutos para alguém mais paciente. O “meio desligada” que você usou para descrever sua amiga pode ser lido como “completamente avoada” por outra pessoa.
A comunicação do dia a dia é recheada desses termos elásticos. Eles não têm uma medida objetiva, mas transmitem emoções, percepções, exageros. São parte da nossa linguagem afetiva e cotidiana, mas também são uma armadilha quando o objetivo é clareza.
Isso é ainda mais evidente em situações profissionais ou acadêmicas. Imagine um professor dizendo que a prova será “fácil”. Fácil para quem? Para ele, que estudou aquilo por anos? Para o aluno que acabou de ser apresentado ao conteúdo? Ou quando alguém diz que “falta só um pouquinho” para entregar um trabalho — esse “pouquinho” pode ser meia página ou metade do projeto.
O problema não está em usar essas expressões, mas em não perceber que elas podem significar coisas muito diferentes para cada um. A clareza na comunicação exige que nos esforcemos para sermos mais específicos. Em vez de “só um pouco”, que tal “coloque meia colher”? Em vez de “esperei bastante”, que tal “esperei 40 minutos”?
Por fim, o mais importante: entender que o outro talvez não veja o mundo como você vê. Não apenas os professores, mas todos nós como membros de uma sociedade, precisamos desenvolver características como a calma, empatia, paciência. Porque, no fim das contas, é no detalhe que a gente se entende.
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