25 de junho de 2022
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Lusiane Fredrich Zaninetti

Que “país” nós queremos para o futuro da nossa Mesorregião?

dothCom Consultoria Digital2
2 OUT 2018 - 08h37min

A Mesorregião dos Pantanais Sul-Mato-Grossenses, formada pelos municípios de Anastácio, Aquidauana,  Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Corumbá, Ladário e Porto Murtinho, com mais de 110 mil km², e população de quase meio milhão de habitantes, tem sua economia baseada sobretudo na pecuária de corte (maiores rebanhos bovinos do país), bem como na agricultura (em especial, soja, milho e cana) e no extrativismo (madeira e minérios).

Vale dizer, tem como carro chefe a atividade agropecuária que, nos tempos atuais de crise prolongada, em verdade é o que vem, diga-se de passagem, mantendo o nosso País. Sem falar na sua biodiversidade encontrada tanto no Complexo do Pantanal, quanto na Serra da Bodoquena, diversidade esta pela qual o nosso Estado é mundialmente conhecido.

O escoamento desta gigantesca produção, no entanto, e feito pelos eixos rodoviários que carreiam os nosso produtos para exportação, em grande  parte pelo Porto de Santos-SP e também pelo de Vitória-ES, juntamente com duas linhas ferroviárias, Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e Ferronorte.

Sendo que a navegação fluvial, que historicamente teve importância decisiva para a nossa região, vem se tornando cada vez menos significativa, seja em relação ao eixo fluvial da Bacia do Rio da Prata (Rio Paraguai), que nos integra ao Paraguai e à Argentina, seja em conexão intermodal com a Hidrovia Tietê-Paraná.

Em resumo, embora sejamos uma Mesorregião fronteiriça ligada diretamente ao Paraguai e à Bolívia e, portanto, indiretamente à Argentina, Chile, Peru etc., estamos hoje quase que invariavelmente atrelados à logística e à economia dos Estados da Região Sudeste do Brasil.

Há anos vem se discutindo, sobretudo em conjunto com Chile, Paraguai e Argentina, a construção da chamada “Rota Bioceânica”, por meio da qual nossos empreendedores locais (pecuaristas, agricultores, industriais etc.) passariam a promover a exportação, não só para os nossos vizinhos latino-americanos, mas, sobretudo, para todos os países das Zonas do Pacífico Sul e do Pacífico Norte.

Isto significaria dizer, para começo de conversa, ter acesso a mercados de países como: Japão, Coréia do Sul, China, Índia, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Para isso começar a acontecer, no entanto, é preciso que o nosso governo estadual mobilize recursos estaduais e capitaneie ações concretas tendo em vista a obtenção de recursos federais, no sentido de inicialmente viabilizar o primeiro trecho de vias terrestres desta “Rota Bioceânica”.

Esta interligação de toda nossa Mesorregião, seguindo inicialmente em direção a Porto Murtinho, poderia nos levar ao: Paraguai (Carmelo Peralta, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, à Argentina (Misión La Paz, Tartagal, Jujuy, Salta, Sico y Jama); e, principalmente, ao Chile (portos da região de Antofagasta e Mejillones, bem como Iquique e Arica).

Chegar ao Porto de Antofagasta, no Chile, seria abrir as portas do nosso Estado para a comunidade dos países da Região do Pacífico e, consequentemente, para o Mundo, na medida em que o percurso do trecho marítimo desta rota (Ásia, via Oceano Pacífico) poderia ter, assim, seu tempo reduzido, em média, em até duas semanas.

Sabemos que muitas coisas precisam ser feitas no sentido de melhorar a economia e a qualidade de vida da nossa região e de seus moradores. No entanto, há que se pensar em prioridades, encampar desafios que proporcionem um efeito multiplicativo favorável, de forma perene e irreversível, para a nossa economia, e, consequentemente, para a nossa saúde, educação, segurança etc.

Em suma, fazendo um trocadilho com a pergunta hoje muito em voga, o (“país”) que nós queremos para o futuro da nossa Mesorregião, é aquele em que os nossos futuros gestores, não só se comprometam a abraçar definitivamente essa bandeira da “Rota Bioceânica”, como também assumam verdadeiramente o compromisso de efetivamente fazer a parte que lhes cabe, ou seja, dar impulso à execução do seu primeiro trecho de vias terrestres, interligando com rodovias seguras, modernas e de qualidade toda nossa Mesorregião, seguindo em direção a Porto Murtinho e, dali, permitir que então cheguemos aos principais portos do Oceano Pacífico.

Isso é o que, penso eu, os cidadãos (eleitores) da Mesorregião dos Pantanais Sul-Mato-Grossenses querem!

 

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