A pandemia e as eleições

24/10/2020 17:16:00


2020 já entrou para a história. Todos os planos e a expectativas criadas no ano anterior foram deixadas de lado. Até mesmo as metas foram significativamente alteradas. Tudo o que importava até meados do mês de março ficou para trás e passamos a viver a angústia, o isolamento e apreensão. Agora, já perto do final do ano, é possível dizer que os padrões de higiene melhoraram, a preocupação com o contato social também, porém o anseio maior está pela chegada da vacina para tudo isso acabar, o que seria um alívio para todos.

Há um detalhe no meio da pandemia, as eleições municipais. Diante da necessidade de maior controle sanitário e de trazer mais segurança a todos os envolvidos no pleito, as datas foram alteradas em aproximadamente quarenta dias e ocorrerá no próximo dia 15 de novembro. Porém uma coisa é certa, as eleições ocorrerão como forma de garantir a democracia em todo país e fazer com que a população possa novamente eleger seus representantes.

A preocupação com as eleições municipais e seus vícios, contudo, não se resolve com uma vacina. Precisava, na realidade, de uma mudança de consciência do cidadão. Aqueles velhos hábitos eleitorais de oferecimento de vantagens continuam na mesma medida em que o pedido e a aceitação desses benefícios por parte dos eleitores ocorrem. É certo que a enorme desigualdade social brasileira aliada aos próprios efeitos da pandemia na economia colocam boa parte da população em situação de vulnerabilidade. Mas enquanto não se colocar um basta nesse “toma lá dá cá”, os prejudicados serão os próprios eleitores, que amargarão por mais quatro anos com representantes que não estão preocupados com o povo.

Ideal seria se houvesse uma vacina coletiva na consciência do eleitor, permitindo que o cidadão pudesse excluir aqueles maus candidatos que somente anseiam pelo poder e oferecem vantagens para alcançar seu objetivo. Só assim teríamos um mundo mais colorido, com melhores expectativas que as atuais. Se existe algo de bom nesta pandemia, que seja a mudança de pensamento do eleitor, deixando de aceitar vantagens indevidas e, principalmente, não votando nos candidatos corruptores.


Giuliano Máximo - Dr. Giuliano Máximo