CARACTERIZAÇÕES FEMININAS ANTES DA PANDEMIA

13/01/2021 09:01:00


CARACTERIZAÇÕES FEMININAS ANTES DA PANDEMIA

 

O poema transcrito abaixo chega a ser chocante diante do passado e mais, ainda no presente. Foi escrito por Simônides ou Semônides nascido na Ilha de Samos, “possivelmente na primeira metade do séculoVII a.C”

Eis o que se apresenta:

“O poema nos aponta dez tipos diferentes de mulheres, todas indesejáveis, com exceção do último: a suja descende da porca; a mulher astuta velhaca procede da raposa; a má e questionadora da cadela; a indolente e preguiçosa, da terra; a volúvel e estável do mar; a gulosa, sensual e pronta para qualquer trabalho, da jumenta; a perversa e revoltante, da doninha; a ociosa e bem arrumada, da égua; a feia, a magricela e malévola, da macaca; e por fim a honesta e desejável provém da abelha”

Assim se apresenta outro exemplo abaixo:

“Tal como o mar, umas vezes, está calmo, inofensivo, no verão – para grande alegria dos marinheiros – outras vezes, enfurece-se levantando-se ondas ressoantes.”

“A ele se assemelha uma mulher como esta na sua maneira de ser; e o mar tem uma natureza mutável” Refletindo.

Interessante que se observa que só a mulher tem a natureza mutável? “Prefiro ser uma metamorfose ambulante/ Do que ter velha opinião formada sobre tudo (trecho da Canção de Raul Seixas)

Imagine-se, que em plena pandemia, as mulheres não mudassem de ideias a respeito dos hábitos, usos e costumes e ficassem quietinhas para não incomodar ninguém?

Imagine-se no Museu de Cera da Madame Tussauds. Imaginem-se: mulheres assim: imutáveis, com a famosa “palidez cerúlea”, agradando a todos? Sem ações e reações? Hum...

E imaginem-se, mais, ainda que em pleno século XXI há criaturas que assim gostariam que existissem mulheres, para fazerem o que bem entenderem!

E assim continuando a sátira de Semonídes, eis as caracterizações da mulher tida também como “raposa malvada”: a presunção, a malvadeza, e a volubilidade”.

 Lembrando que as características já estavam presentes no século V Ac, e hoje, mudanças positivas ocorreram através das descobertas, dos estudos, das pesquisas e da própria mulher. A humanidade mudou nos usos e nos costumes, também.

 E a linguagem se transformou, e o tratamento também. Mas sabe-se que para tal situação muitas mulheres morreram ou ficaram com sequelas físicas e psicológicas. Um retrato em nada agradável.

Mas não se pode esquecer que um “homem galinha” é um conquistador. Já a “mulher galinha” é pejorativa a caracterização.

Seguindo com a “Sátira contra as Mulheres”, algumas caracterizações mostram a maneira com o trato feminino, já no século V Ac, e como já descendiam as mulheres:

 “a má e questionadora da cadela”: Adjetivação pesada. E se permanecesse até hoje? Pobres das mulheres pensantes!

E daí, por diante “a gulosa, sensual e pronta para qualquer trabalho da jumenta”.   Reflexões se fazem presentes em todos os momentos no universo feminino ao longo de muitos séculos:

E alguns questionamentos diante das conotações se fazem presentes:

Como a mulher vivia e era tratada?

Que papel tinha na sociedade e na família?

E por que das adjetivações e será que permaneceram?

Alguma positiva?

Sim: a que comparava a mulher com uma abelha: “ honesta e desejável”.

Mas, há sempre, desde que o “Mundo é Mundo”, algo que incomoda e por vezes maltrata a mulher: a falta de educação.

E com esta falta de educação a sociedade por mais avançada que seja sofrerá pela falta, porque alguns adjetivos negativos ainda permanecem.

E a mulher então nem se fala!

Chega da falta de educação!Chega da falta de respeito !

 

Maria de Lourdes Medeiros Bruno

 

Bibliografia:

 

BRANDÃO, Junito Souza de, HELENA O ETERNO FEMININO, Um primeiro encontro com a mulher grega. Petrópolis: Editora Vozes,1989.

 

BRASETE, Maria Fernanda, A crítica às mulheres no fr. 7 de Simónides de Amorgos

 

SEIXAS, Raul, Metamorfose Ambulante, www.youtube.com.>wacht.

 

 

 

 

 


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