O Pitoresco VIII

19/01/2022 05:05:00


O 1º Reitor da UFMT não possuía curso de pós-graduação. Foi designado pelo MEC com mais quatro Reitores de Universidades Públicas Federais, a implantarem no Brasil o PICD (Programa Institucional de Capacitação Docente). Hoje é o único docente da UFMT que não tem curso de pós-graduação.

O PICD democratizou a pós-graduação no Brasil. Hoje a UFMT possui vários cursos de mestrado e doutorado, impensável no início dos anos setenta.

Bem antigamente os alunos de medicina concluíam o seu curso e defendiam tese. Eram chamados então de doutores. Hoje terminam a graduação e são chamados de doutores.

Os professores universitários com o curso de mestrado são os mestres, os com o doutorado são os doutores e aqueles sem curso superior são os “doutores honoris causa”.

O 1º médico ortopedista de Cuiabá, antes de procurar o Rio de Janeiro para versar um curso superior, era mecânico de automóveis e trabalhava na oficina de um primo.

No retorno como ortopedista continuou trabalhando com parafusos, placas, perfuradoras e serrotes, até se aposentar como médico.

Antigamente ele cuidava de carros amassados por “traumas” de veículos, depois, de pessoas vítimas de traumas. Fundou o Hospital Sotrauma.

Os anestesistas de Cuiabá de bem antigamente, costumavam também “dormir” na cabeceira da mesa cirúrgica com seus pacientes, nos procedimentos de longa duração. Hoje, jogam “paciência", baixando aplicativos no seu celular.

Já os parteiros de antigamente “mudavam” para casa das suas clientes, quando estas estavam em trabalho de parto. Muitos obstetras dormiam em redes, esperando o neném nascer. Daí muitas dessas crianças nascerem na cama com ajuda do pai.

Médicos de Cuiabá de bem antigamente iam aos velórios dos seus pacientes. Hoje são raros aqueles que comparecem. As famílias antigamente até trocavam de médico quando estes ficavam ausentes deste ato fúnebre.

Antigamente as pessoas tinham seus médicos. Hoje têm SUS e Planos de Saúde.

Muitos pacientes fogem da fila do SUS para não morrerem nela. São atendidos pelos “pacotinhos”. Pagam um preço inferior ao dos Planos de Saúde. Cobrem despesas com médicos e hospitais particulares.

O “pacotinho” apresenta preço variável, podendo também ser pago em prestações.

Os estudantes de medicina são ótimos auxiliares dos médicos em cirurgias de pacientes particulares.

Seus honorários ficam para o cirurgião. O acadêmico fica satisfeito porque está aprendendo e ficando conhecido.

A vida útil de um médico é curta. No início da carreira é considerado muito jovem, - sinal de inexperiência. Quando acumulou muita experiência é respeitado, mas, com “prazo de validade vencido”.

As melhores faculdades de medicina avaliadas pelo MEC apresentam maiores dificuldades aos alunos na aprovação do vestibular.

Depois de “formados” nenhum cliente pergunta ao médico em que faculdade realizou o curso.

Na Cuiabá de bem antigamente, quando os médicos novos substituíam os antigos, eram chamados de “bagrinhos”. Fui “bagrinho” por muito tempo de vários médicos da Cuiabá antiga. Graças a Deus!

Sinal de sucesso profissional de antigamente era comprar um “fusquinha” novo. Hoje é comprar um barco para navegar no Manso.

Médico com dinheiro, bem antigamente, virava fazendeiro de gado. Hoje a medicina não é mais uma profissão liberal e os médicos são mal remunerados.

Filhos de médicos de bem antigamente estudavam medicina. Hoje continuam estudando, na sua maioria.

É a velha história de “um erro não justificar o outro”.

Hoje somos atendidos e operados por “robôs” guiados por “médicos invisíveis”.

Antigamente as pessoas perguntavam se o seu médico era bom. Hoje, de onde foi manipulado o “robô” que te operou?

Bem antigamente, pessoas treinadas faziam o controle das farmácias hospitalares. Esse trabalho hoje é feito com perfeição por computadores.

 


dothCom Consultoria Digital2 - Gabriel Novis Neves