Dia da Poesia

23/03/2022 20:20:00


21 de março foi o Dia da Poesia e neste artigo, em nome de Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa (Cabo Frio, Rio de Janeiro, 1812 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1861). Romancista, poeta e dramaturgo; enalteço e cumprimento o nome de cada confrade e/ou poeta que faz de sua vida poesia, em busca de um mundo melhor.

Teixeira era filho do comerciante português Antônio Gonçalves e da negra Ana Teixeira de Souza. Para auxiliar no sustento da família abandona os estudos aos 10 anos e vai trabalhar em Niterói/RJ, como auxiliar de carpinteiro. No intuito de aprimorar-se na profissão muda-se para a capital, em 1825. Nesse ano percebe os primeiros sintomas da tuberculose, e cinco anos depois retorna a sua cidade natal para se tratar.

No período em que permanece em repouso, escreve sua primeira tragédia, Cornélia, publicada apenas em 1840. Tendo perdido os quatro irmãos, volta para  o Rio de Janeiro em 1832 e se emprega na tipografia de Francisco de Paula Brito (1809 - 1861), responsável pelo periódico A Marmota Fluminense e primeiro editor do romance O Filho de Pescador, de 1843, considerado por muitos estudiosos da história da literatura brasileira a primeira obra do gênero escrita por um autor nacional. Na década de 1840, divulga quatro livros de poesia: Cantos Líricos I, em 1841; Cantos Líricos II, em 1842; Os Três Dias de um Noivado, em 1844; e A Independência do Brasil, em 1847. Entre 1849 e 1855 trabalha como professor público de instrução primária e, com Paula Brito, dirige uma tipografia. Publica em 1854, pela tipografia M. Barreto, o romance A Providência, que havia circulado em formato de folhetim nas páginas do jornal Correio Mercantil. Assume o posto de escrivão da Primeira Vara de Juízo da Cidade do Rio de Janeiro em 1855.

Com a estabilidade financeira assegurada pelo novo emprego passa a dedicar-se com mais afinco à atividade literária e lança nesse ano a tragédia O Cavaleiro Teutônico e a Freira de Marienburg e, em 1856, o romance As Fatalidades de Dois Jovens: Recordação dos Tempos Coloniais. Em 1859, a quarta edição de O Filho do Pescador circula em formato de folhetim em diversas edições de A Marmota
Fluminense e é lançado o romance Maria ou A Menina Roubada, seu último livro. Morre, vitimado pela tuberculose, em 1861, no Rio de Janeiro, aos 49 anos. O mulato de Cabo Frio, inspirou o jovem Machado de Assis, a escrever um longo poema dedicado ao escritor que lhe ensinara o ofício de tipógrafo.

Em 1855, Machado exaltou a obra lírica de Teixeira e Sousa, chamando-o de “Gênio Americano”. Nele, personagens populares vivem o clima tropical e o ambiente social da época, em tramas que inspiram os enredos das novelas televisivas até hoje. "O gênio adormecido" 3  foi composto e publicado na Marmota Fluminense em outubro de 1855, um ano após a estreia de Machado de Assis na imprensa. Nele, o jovem poeta pretendeu glorificar a epopeia A Independência do Brasil, de Teixeira e Sousa, cuja primeira parte saiu em 1847 e a segunda no início de 1855 pela tipografia de Paula Brito. Particularmente eu gosto de frisar atos de gratidão. De todo modo, o periódico de Paula Brito foi a porta de entrada de Machado de Assis para a divulgação de seus textos. Em suas páginas, figuraram cinquenta e seis textos machadianos.

Teixeira e Souza ressaltava em suas obras um país injusto e apresenta o negro como sujeito, ser humano pleno, e não como mero objeto de força motriz. características peremptórias, todavia, criticadas à época. Mesmo assim, “os homens das letras” de então, concederam a ele um lugar de destaque entre os escritores e que se perpetua cada vez que seu nome é lembrado.


Rosildo Barcellos - Rosildo Barcellos