HISTÓRIAS DE ADMIRAR: PARABÉNS, O PANTANEIRO!

05/05/2022 23:09:00


      Dos 57 anos de existência de O Pantaneiro, acompanhei pelo menos os últimos 31, desde que em 1991 escrevi alguns textos, incentivado pelo casal Arnaldo e Vilma Begossi, então meus professores. Assim, durante a graduação em História (Licenciatura) no antigo CeUA/ UFMS (1991-1995), exercitei as artes de encantar gentes por meio de letras/ sílabas/ palavras/ frases/ parágrafos, ainda que estivesse engatinhando no ofício, apoiado pelo “Lima”, então principal responsável pelo periódico. Muito anos depois (muitos, mesmo!) fui convidado por seu filho, Rhobson Tavares Lima, que eu conhecera ainda um menino, para escrever a coluna Histórias de admirar, o que me enche de orgulho e satisfação e faço com alegria desde 2013. O Pantaneiro tornou-se, ao longo dos anos, um veículo de comunicação muito importante para toda a região de Aquidauana e, mais que isso, um espaço plural e diverso, extremamente necessário em tempos sombrios como o que vivemos atualmente (não apenas no Brasil, mas em todo o mundo). Nesses quase 10 anos em que escrevo (irregularmente, é verdade!) para O Pantaneiro pude abordar diversos assuntos/ temas, muitos deles relacionados à Educação, sobretudo a Básica. A função de um jornal, seja no passado – exclusivamente em formato impresso – ou no presente – em multiplataformas –, é a de informar qualificadamente, formar opiniões e (quem sabe) transformar condutas. O jornal criado em 05 de maio de 1965 nasceu em um turbulento período sociopolítico no Brasil e acompanhou as transformações ocorridas na região, quando Mato Grosso do Sul ainda não existia formalmente, sendo denominado “Sul de Mato Grosso”. Aquidauana (topônimo oriundo da língua Kadiwéu, cujo significado é “rio estreito/ delgado”) é considerada o “Portal do Pantanal” Sul-mato-grossense e nada mais sensato/ justo que o periódico recebesse o nome de O Pantaneiro. E quem é “o pantaneiro” que serviu de inspiração para o epíteto? Diferentemente da telenovela exibida atualmente pela Rede Globo de Televisão, os pantaneiros (e as pantaneiras) caracterizam-se por habitarem o Pantanal há várias gerações, possuindo costumes e pautas culturais próprias. São gentes influenciadas e envolvidas diretamente pelas relações estabelecidas com o ambiente, marcado pelos ciclos de seca e cheia das águas, cotidianamente utilizadas como meios de transporte e de subsistência, tanto física como espiritual/ cultural. Os povos pantaneiros (lembrando que o bioma Pantanal se localiza entre dois Estados da Federação: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), acostumados aos fluxos e refluxos das águas (formadoras de rios, corixos baías etc.), derivam de “puras misturas” de gentes indígenas e não indígenas advindas da Bolívia e do Paraguai, de remanescentes da Guerra contra o Paraguai (1864-1870), de indígenas Guarani, Payaguá, Guató, Guaikuru, Chané-Guaná (ancestrais dos Kinikinau, Layana e Terena) e outros, além de forasteiros, os de fora, chamados “paus-rodados”, como eu! É essa “polifonia” de vozes e de sotaques que o jornal tem expressado nessas mais de cinco décadas de existência, inclusive publicando textos de professores universitários e, também, de membros da comunidade anastaciana/ aquidauanense, desejosas por apresentarem ideias/ opiniões/ argumentos, debates e posicionamentos diversos. Oxalá O Pantaneiro sobreviva a outros tantos 57 anos e que continue a inspirar sonhos, a afastar sombras e a ecoar sons do Pantanal para o mundo!


Giovani José da Silva - Giovani José da Silva