Saudades dos crentes... - 2ª parte

06/06/2011 00:00:00


Num texto anterior, comentamos que o título acima foi dado por Dom Robinson Cavalcante, bispo da Diocese Anglicana do Recife, a um artigo no qual faz referencia aos bons tempos, no passado, quando a Igreja evangélica brasileira tinha um peso significativo na sociedade, mesmo apequenada em termos de membros. Na mesma publicação a Revista Ultimato escreveu uma matéria corajosa, na qual se sobressai uma pergunta: "O que está acontecendo com a Igreja gloriosa"? Entre as preocupações estão a constatação de que o culto cada vez mais ganha o formato de show, o dízimo tem se transformado em dividendos e os milagres em marketing.

Mas, outras distorções lamentáveis podem ser verificadas em alguns "arraiais" do povo que chama para si a responsabilidade de ser "de Deus". Como não alertar para a perigosa tendência da sexualidade transformar-se em licenciosidade entre os evangélicos? Se é correto dizer que existe uma certa repressão sobre a questão da sexualidade em muitas denominações, que não é vista como algo positivo e legítimo e que pode ser exercitada não apenas para a procriação, mas também para o prazer entre os que "se unem no Senhor", também é certo que a sexualidade distorcida é ensinada em outras, resultando em práticas lamentáveis.

Um exemplo claro da distorção acima é a aceitação da homossexualidade, como algo natural, entre alguns grupos evangélicos liberais, que ignoram a condenação da prática em vários textos bíblicos como Romanos 1, 18-32 e Levíticos 18,22. Fazem isto em nome de uma visão deturpada do que a Bíblia define como "amor". "Qualquer prática relacional é aceitável diante de Deus, desde que haja amor entre os envolvidos", dizem. E se isto até pouco tempo era apenas uma tendência, não aceita corporativamente, hoje ela ganha visibilidade na forma de algumas denominações. A Comunidade Cristã Nova Esperança, que define-se como comunidade cristã, "independentemente de orientação sexual, etnia, gênero, classe social e idade" , é uma das referencias atuais. Quem entra em seu site há de perceber, na sua dinâmica semanal, programas aparentemente comuns à várias igrejas sérias como "estudo bíblico" e até um "culto da vitória" semanal. Ao redefinir, porém, alguns conceitos bíblicos clássicos sobre "pecado", algo que a própria Bíblia não autoriza, ela anula a pretensão de ser parte da Igreja gloriosa de Cristo.

Outra constatação preocupante, em nossos dias, é a transformação da força moral da Igreja em força numérica, conforme lembra a revista Ultimato. As lideranças evangélicas do país são fascinadas com as grandes multidões. Por causa disto a preocupação nem sempre tem sido com conversões genuínas, mas sim com a adesão de fiéis. O resultado é que as Igrejas estão "inchando-se de membros" , atraídos em muitos casos pelos "entretenimentos" que são oferecidos e pelos "programas de auto-ajuda", quando deveriam existir prioritariamente para adorar a Deus. Se as estatísticas das adesões tem empolgado muitos, a ponto a revista "Show da Fé" ter declarado de forma ufanista que "seremos maioria em breve", numa alusão ao número de evangélicos, é preciso que alguns dados deprimentes publicados no Internacional Bulletin of Missionary Research sejam também considerados. Destacamos dois: 1. Na América Latina, 43% das pessoas nascidas e criadas nas igrejas protestantes não se mantêm ligadas a elas na idade adulta; 2. No México, 68% dos que foram batizados em igrejas protestantes nos anos 80 saíram delas no início da década seguinte. Estudiosos da religião são unânimes em afirmar que se somos uma forma numérica considerável, hoje, o mesmo não pode ser dito na área das influencias moral e ética. No texto da revista Ultimato observa-se que, contrariando essa tendência atual "a idéia da superioridade da força moral sobre a força numérica percorre toda a Bíblia. É bem visível na história de Gideão, que dispensou um exército de 32 mil homens e organizou uma patrulha de apenas 300 homens" (Jz 7, 1-6).

Pastor da Igreja Presbiteriana
Vivaldo-2008@hotmail.com / www.ipbaq.com


dothCom Consultoria Digital - Rev. Vivaldo Melo