Raquel Anderson
Dia do Pantanal
Ah, Pantanal!
Venho de um Pantaneirismo
Descomunal
Definiram celebrar
Tua belezura pura
E tua importância
Neste dia
Decidiriam doar-te
Um dia
Com o legado de Francelmo
Só para retribuir
Com nostalgia
Toda tua poesia
Será que todos sabem
Sobre o estufamento
Da camisa
Na volúpia
De um galope?
Sabem sobre a firmeza
De um estribo
Na astúcia
De um trote?
Ou sobre o desvio de uma picada que Desemboca nos teus trilheiros?
Só quem viveu dentro de ti,
Pantanal,
Na infância,
Carrega, na lembrança
O teu cheiro
E identifica
Eternamente
Teus sons brejeiros
Contém ardência na alma
De quem viu tua essência
Queimada, afinal
No Pantanal
A casinha era de pau
E o pai trançava
Com folha de bacuri
O telhado esverdeado
Com a observância
Dos guri
Eu vi o telhado
Mudar de cor
Transformar-se na
Bege cor de areia, da palha
Comi cabeça de boi
Assada na fornalha
Lambisquei teus lambiris
Dei ouvido aos teus bem-te-vis
Abracei teus sanhaços
Aprendi trançar laços
E ouço, ainda,
O esturro da onça
Com tua fétida catinga
Bebi água de cacimba
Sou pantaneira criança
E vivo mais que um dia
A celebrar o Pantanal
Elaboro, choro, sempre,
Po tuas memórias
Do teu quintal
Carrego, no sapicuá
As pedrinhas que ganhei
De um passarinho
Porque vigiei teu filhote
Cuidei do teu ninho
Aprendi com o cavalo
Que transpira parado
O rumo que a vida tem
Com o bailado
No abano do teu rabo
Das asas do teu tuiuiú
Enxergo mais nítido
Todo o azul
E, com esta inspiração
Dei ao meu filho o nome que rimo
Com a ave que te simboliza
Tuiuiú
És, para o mundo,
Pantanal
A representação da atitude
Inesquecível
Do homem que tirou a própria vida
Para salvá-lo
Com o teu recado:
Francisco Anselmo Gomes de Barros
Eternamente, presente.
Voltar ao topo