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Acolhida

Vereadores de Corumbá debatem situação de mães atípicas

Representante destaca que a realidade das famílias atípicas vai muito além das terapias, além dos laudos, das consultas e dos atendimentos especializados

Divulgação

O depoimento de Maria Alcina Morais, da Associação Comunitária Mãos Que Abraçam, emocionou o público presente na noite desta terça-feira, 26, na Câmara Municipal. Ela ocupou a tribunal do Legislativo a convite do vereador Jovan Temeljkovitch, para falar um pouco do trabalho que a entidade realiza na região com o objetivo de dar voz a quem a dor silenciou.

A instituição é responsável por ações voltadas ao atendimento de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, tais como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), síndrome de Down, dislexia e demais condições correlatas, além do apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social.

Maria Alcina se emociona sempre ao falar da atuação de todos que fazem parte da associação. Em seu pronunciamento no plenário, relatou que “a inclusão não é apenas uma palavra bonita escrita em projetos ou discursos. Inclusão é compromisso, é responsabilidade, é olhar para o outro com humanidade, dignidade e respeito. É compreender que por trás de cada diagnóstico existe uma criança, uma mãe, uma família inteira lutando diariamente para sobreviver emocionalmente, financeiramente e socialmente”.

Revelou que a realidade das famílias atípicas vai muito além das terapias, além dos laudos, das consultas e dos atendimentos especializados. “Existe uma dor silenciosa que muitas vezes ninguém vê. Existe o cansaço de mães que enfrentam noites sem dormir, preconceito, abandono, dificuldades financeiras e a solidão de carregar sozinhas uma luta que deveria ser coletiva”, confidenciou.

Afirmou que estar à frente de uma associação “é carregar no coração o compromisso com o povo, especialmente com aqueles que mais precisam. É compreender que atender famílias em situação de vulnerabilidade torna os desafios ainda maiores”, se referindo à dura tarefa de realizar uma terapia de qualidade com uma criança que muitas vezes sequer tomou o café da manhã, e como desenvolver o potencial de um adolescente com TDAH quando lhe faltam autoestima, orientação, apoio emocional e perspectivas para o futuro.

Revelou que, diariamente a entidade encontra adolescentes enfrentando a gravidez “em uma fase tão bonita da vida, uma fase que deveria ser marcada por sonhos, descobertas, oportunidades e construção de projetos pessoais”, sem se esquecer do fato de sempre estar frente a frente com famílias fragilizadas pela ausência de políticas públicas efetivas, pela falta de acolhimento e pelo peso do esquecimento social.

“Por isso, visitar as famílias, conhecer suas realidades, ouvir suas dores e compreender suas necessidades faz toda diferença no atendimento. Não existe inclusão verdadeira sem escuta, sem presença e sem empatia. Não existe transformação social sem enxergar o ser humano além das suas limitações”, confidenciou.

PROPÓSITO

Relatou que a Associação Comunitária Mãos Que Abraçam nasceu exatamente desse propósito: dar voz a quem muitas vezes foi silenciado pela dor, pelo abandono e pela falta de acolhimento; nasceu do sonho de uma mãe atípica que transformou sua própria dor em luta coletiva, em esperança e em ação.

Observou ainda que a neurodivergência não é uma causa individual, mas sim uma causa social que, somente com a união entre famílias, sociedade civil, profissionais, poder público e comunidade, será possível construir um futuro mais justo, humano e acessível para todos.

“Precisamos fortalecer diariamente o olhar sensível, a responsabilidade social e o compromisso assumido com o povo, independentemente de cor, raça, religião ou condição social. Os Direitos Humanos existem para garantir dignidade, igualdade, respeito e proteção a todos. E é justamente nesses princípios que acreditamos e continuamos firmes”, visualizou.

Revelou que ainda há muito a ser feito, muitos desafios que precisam ser enfrentados, mas que todos os envolvidos seguem acreditando que cada gesto de acolhimento, cada mão estendida e cada atitude de empatia podem transformar vidas. “Inclusão não é favor, é direito. E lutar pela dignidade humana é um dever de todos nós”, completou.

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