Com foco no artista aquidauanense Rubens Corrêa, um dos maiores atores brasileiros, o espetáculo "Rubens Corrêa, um grande Artaud de Aqui..." será encenado na próxima terça-feira (24), às 20h30, no Teatro Aracy Balabanian, em Campo Grande. O evento abre as apresentações teatrais da Boca de Cena - Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro/2015, dentro da programação da semana do Teatro em Mato Grosso do Sul.
O espetáculo "Rubens Corrêa, um grande Artaud de Aqui..." é produzido pela Associação Artística Cultural Palco de Artes Cênicas/Grupo Teatral Palco Sociedade Dramática, com investimento do Prêmio Funarte de Teatro Myrian Muniz de Teatro 2012/Ministério da Cultura/Governo Federal e Prêmio Rubens Corrêa de Teatro 2013- Fundação de Cultura de MS/Governo do Estado de MS.
Em quase 60 minutos, o ator Espedito Di Montebranco busca mostrar um pouco da vida e obra deste grande ator nacional - nascido em 23 de janeiro de 1931 e morto em 22 janeiro de 1996 -, que atuou em 38 espetáculos teatrais, dirigiu 20, fez 15 novelas e 10 filmes. Ao mesmo tempo, Espedito aborda sua paixão pela obra do poeta e escritor francês Antonin Artaud, nascido em 04 de setembro de 1896 e morto em 04 de março de 1948.
A dramaturgia é organizada com trechos de obras de Artaud, roteirizado e encenado pela lendária dupla de sócios do Teatro Ipanema do Rio de Janeiro, o ator Rubens Corrêa e o diretor Ivan de Albuquerque (1932-2001), no final dos anos 1980, e conta ainda com colagens de textos de William Sheakespeare, da obra Hamlet e textos do ator, dramaturgo e diretor Espedito Di Montebranco.
O objetivo é colocar em cena as lembranças de Rubens Corrêa em Aquidauana, o internato no Rio de janeiro, a paixão pelo teatro, a descoberta de sua paixão por interpretar loucos, velhos e tarados e a paixão pela obra de Antonin Artaud, quando o ator passa a interpretar trechos adaptados da obra de Antonin Artaud em um dos hospitais psiquiátricos onde ele esteve internado no fim de sua vida, falando sobre o teatro, sobre sua forma de ver o mundo e a psiquiatria e sobre Van Gogh, a loucura e a liberdade.
De acordo com Espedito, diretor do Grupo Teatral Palco Sociedade/Dramática, que há 19 anos dirige o grupo e que também é o ator em cena, o espetáculo é um resgate à obra de Rubens Corrêa e Antonin Artaud. "Mais que a tentativa de mostrar um espetáculo, nasceu o desejo de reconhecer e divulgar a obra destes dois grandes mestres do teatro, uma vez que em Mato Grosso do Sul a memória de Rubens Corrêa a cada dia se torna mais distante, o nome de Rubens não figura em nenhum teatro ou espaço merecedor de sua grandeza, figura apenas em uma sala do Centro Cultural José Octávio Guizzo, usada para reuniões", explica.
O espetáculo têm ainda Stepheen Abrego na iluminação, Claudeir Dilly na sonoplastia e Jurema de Castro e Bruno Moser no apoio. A classificação é sugerida para maiores de 10 anos.
O Teatro Aracy Balabanian fica no Centro Cultural José Octávio Guizzo, localizado na Rua 26 de agosto, 453, Centro de Campo Grande
O artista
Nascido no dia 23 de janeiro de 1931, na cidade de Aquidauana, o ator e diretor sul-mato-grossense Rubens Alves Corrêa estudou teatro n'O Tablado, de Maria Clara Machado, e se formou em direção na Escola de Dulcina de Morais, em 1958. No ano seguinte, fundou com o colega de turma, Ivan de Albuquerque, sua própria companhia, o Teatro do Rio - que, em 1968, transforma-se no Teatro Ipanema, onde atua e dirige os mais importantes trabalhos de sua premiada carreira.
Ganhou seu primeiro Prêmio Molière como ator por seu trabalho em "A Escada", de Jorge Andrade, em 1963. Em 1964, fez um dos papéis marcantes de sua carreira, em "Diário de um Louco", de Nikolai Gogol, que voltou a representar em diversas ocasiões.
Em 1967, em temporada paulista, atuou na montagem de "Marat-Sade", de Peter Weiss, com direção de Ademar Guerra, o que lhe rendeu o Prêmio Governador do Estado como melhor ator. De volta ao Rio de Janeiro, já no Teatro Ipanema, recebeu os prêmios Estácio de Sá e Golfinho de Ouro de melhor ator por "O Assalto", de José Vicente, dirigido por Fauzi Arap. Em 1971, por sua direção de "Hoje É Dia de Rock", também de José Vicente, ganhou o Prêmio Molière de melhor diretor.
A partir de 1977, deixou a direção e atuou apenas como ator. Em 1981 recebeu o prêmio Molière de melhor ator na peça "O Beijo da Mulher Aranha", de Manuel Puig. Em 1993, com "O Futuro Dura Muito Tempo", de Louis Althusser, adaptação e direção de Márcio Vianna, recebeu o Prêmio Shell de melhor ator.
Morreu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 22 janeiro de 1996, um dia antes de completar 65 anos, devido a complicações de saúde provocadas pelo vírus HIV.