Uma importante publicação sobre a pesca de água doce no mundo, lançada este ano, conta com informações sobre a atividade produzidas especificamente para a região pantaneira. O livro "Freshwater Fisheries Ecology" ("Ecologia da Pesca de Água Doce", em tradução livre) é uma publicação de 898 páginas feita pela editora de trabalhos científicos Wiley Blackwell. A edição foi realizada pelo pesquisador John Craig, que também é editor-chefe da revista "Journal of Fish Biology", ou "Jornal da Biologia dos Peixes".
Agostinho Catella, pesquisador da Embrapa Pantanal que integrou o time de colaboradores brasileiros do projeto, conta que o livro aborda a pesca de água doce em escala mundial. "Fala sobre os ecossistemas, o desenvolvimento e a gestão das pescarias, os efeitos das perturbações ambientais sobre a atividade e outros aspectos. Na seção sobre os recursos pesqueiros, a publicação apresenta as pescarias de água doce em todos os continentes. Um dos capítulos fala sobre a pesca na América no Sul", afirma.
Segundo Agostinho, John Craig convidou o pesquisador Mário Barletta ? professor da Universidade Federal de Pernambuco ? para reunir uma equipe que pudesse apresentar as informações mais relevantes sobre a pesca no continente sul-americano. "O Mário buscou especialistas em sete bacias no continente: do Rio Magdalena, do Rio Orinoco, da Bacia Amazônica, do Rio São Francisco, do Rio de La Plata, da Lagoa dos Patos e dos lagos da Patagônia", afirma.
Dessa forma, os pesquisadores Agostinho Catella, Angelo Agostinho (da Universidade Estadual de Maringá) e Claudio Baigún (do Instituto Tecnológico de Chascomus, na Argentina) ficaram responsáveis pela seção que descreveu a pesca na bacia do Rio de La Plata. O pesquisador da Embrapa Pantanal abordou mais diretamente a região pantaneira na publicação. "Nós descrevemos como funciona a pesca profissional artesanal e amadora (ou recreativa) no Pantanal e sua estreita relação com o ambiente, assim como suas variações. Apresentamos as tendências que elas seguiram desde que tiveram início, as políticas pesqueiras que foram adotadas e os conflitos de interesse entre os atores. Depois, abordamos a produção pesqueira ? trecho que foi baseado, principalmente, nas informações que produzimos por meio do Sistema de Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul, o SCPesca/MS".
Esse sistema, desenvolvido por meio de uma parceria com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul) e o 15º Batalhão da Polícia Militar Ambiental, possui cerca de 20 anos de dados coletados. "Em relação à coleção de informações sobre pesca profissional artesanal e amadora de água doce, seguramente é o maior conjunto que existe no país", diz Agostinho.
Para a bióloga Fânia Campos, fiscal ambiental do Imasul, a publicação dos dados sobre a atividade pesqueira na bacia do Alto Paraguai é um reconhecimento significativo para o SCPesca/MS. "É a representação de que o nosso trabalho está sendo validado. Os dados e informações obtidos pelo Sistema também são utilizados para o gerenciamento e ordenamento da atividade no estado. São informações que só existem aqui em MS", afirma Fânia.