O ?Santo e a Porca? da Companhia de Teatro Fulano di Tal é um espetáculo adaptado da obra de Ariano Suassuana e abre a programação da Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo ? Boca de Cena. O festival começa nesta segunda-feira (18), às 20 horas, com entrada de graça e classificação 12 anos. O evento vai até 23 de abril e é uma realização da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação e Governo do Estado de MS, com organização e produção do Colegiado Setorial de Teatro de Campo Grande, do Colegiado Setorial de Arte Circenses de Campo Grande e da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
A peça já circula há três anos, tendo sido apresentada 32 vezes, com um público aproximado de sete mil pessoas. Participou de festivais, como o de Inverno de Bonito, do Circuito Sul-Mato-Grossense de Teatro e do próprio Boca de Cena em três edições anteriores. É uma adaptação da obra de Ariano Suassuna e levou quase dois anos para ficar pronta. Para o diretor do espetáculo Marcelo Leite, mesmo a peça tendo sido escrita em 1957, ainda é atual. ?Fala de valores morais, éticos, religião, desse apego pelo dinheiro, que representa muita gente, é como se o povo estivesse participando do espetáculo. Independente de época, as pessoas se identificam com a peça?, frisa Leite.
A peça de Ariano Suassuana é uma comédia e aborda o tema da avareza, assunto favorito de Plauto (Aulularia) e Moliére (O Avarento). A versão do Fulano di Tal tem adaptação de Rita Regina Diniz, direção de Marcelo Leite e co-direção de Bruno Loiácono. A trama tem início quando o fazendeiro Eudoro Vicente (Begèt de Lucena) envia uma carta ao comerciante Eurico (Vini Ferreira), mais conhecido como Euricão Engole Cobra, pedindo-lhe o seu ?maior tesouro?.
Eudoro se refere, na verdade, à mão de Margarida (Rayra Calin), filha de Eurico, em casamento. Mas este pensa que o outro quer roubar-lhe a fortuna, guardada há anos em uma porca, herança deixada por seu avô. Para complicar, Margarida e o filho de Eudoro, Dodó (Manolo Schittcowisck), estão apaixonados, e Benona (Marjorie Matsue), irmã solteirona de Euricão, acha que o convite de casamento é para ela. Ao perceber o mal-entendido, a esperta Caroba (Maria Fernanda Fichel) elabora um plano para ganhar um dinheirinho extra e se casar com Pinhão (Bruno Yudi).
É a partir das confusões feitas pelo plano de Caroba que se desenrola toda a trama A comédia ?O Santo e a Porca? não foge à regra dos espetáculos de Ariano Suassuna, nos quais a simplicidade do trabalho permeia toda ação dramática. O cenário recria um ambiente do interior nordestino e o figurino se apresenta com retalhos e rendas. A cultura nordestina é amplamente valorizada através de personagens que trazem consigo a marca de um povo sofrido, porém alegre.
Marcelo Leite afirma que há elementos surpresas durante o espetáculo. ?Sempre a gente tem a preocupação de mudar alguma coisa, já que o espetáculo está em cartaz há muito tempo, quem acompanha sabe que a gente utiliza um pouco da linguagem da internet, apesar da peça ser atemporal. E ainda há a entrada de um novo ator, que dá um novo gás para a peça?, destaca.
Leite diz ainda estar gratificado ao participar do ?Boca de Cena?, que foi criado para homenagear o Dia do Teatro, comemorado em 27 de março. ?É um reconhecimento para quem está fazendo teatro na cidade, no estado, passar no edital foi importante, foi uma certificação de que a gente está fazendo tudo certo e que a peça está trilhando seu caminho. É muito gratificante poder participar do Boca de Cena?, diz com entusiasmo.
Serviço
?O Santo e a Porca? será apresentada nesta segunda-feira, às 20 horas, na abertura oficial do Festival de Teatro ?Boca de Cena?. A entrada é franca, e a classificação indicativa é de 12 anos. Acompanhe toda a programação do Festival nas redes sociais (Facebook) pela #bocadecena.