Uma fotografia postada em rede social foi a primeira pista da chegada de Milton Nascimento, o Bituca, a Campo Grande. Ele aterrissou na cidade na quarta-feira passada (21) e ficou seis dias por aqui, depois de uma passagem por Cuiabá. A agenda contou com uma programação repleta de visita a amigos e colegas, assim como um encontro com representantes dos guaranis.
?A passagem por Campo Grande foi ótima, aliás, como foi em todas as vezes em que passei por aqui?, conta o cantor. ?Minha equipe e eu aproveitamos também para articular um encontro com representantes dos índios guaranis?, ressalta. Esse foi um dos pontos mais importantes da viagem.
A reunião foi fechada e, além de Milton, do filho Augusto Kesrouani e do assessor de imprensa Danilo Nuha, também participaram dois observadores não índios: o músico Vinil Moraes e o diretor e ator Fernando Cruz, do Teatro Imaginário Maracangalha.
?Estamos vendo a possibilidade de um projeto de colaboração com um centro de música para índios da região de Caarapó?, explica, sem dar muitos detalhes sobre a ação. ?Mas posso dizer que vamos fazer o máximo para que os guaranis possam continuar sonhando dentro de seu território?, pontua.
Em 2010, Milton esteve em Campo Grande, onde realizou show pelo projeto ?AVA Marandu ? Os Guarani convidam?. Nessa ocasião, o cantor participou de uma cerimônia indígena e foi batizado com o nome Ava Nheyeyru Iyi Yvy Renhoi, que significa ?Semente da Terra?, em português.
Além do encontro com os indígenas, Milton foi convidado para um jantar organizado pelos amigos do cantor e por parte da família de seu assessor. Entre os convidados, músicos como Paulo Simões e Gabriel Sater. Também houve apresentações de dança e cultura de Okinawa.
CARREIRA
Milton Nascimento é um dos principais nomes da música popular brasileira. Com uma trajetória de mais de 50 anos, o músico afirma: ?Sou feliz com tudo aquilo que vivi e, principalmente, com as coisas que continuo vivendo até hoje?.
Em 2016, ele foi reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa pela Berklee College of Music ? a maior faculdade independente de música. Segundo ele, tratou-se de uma homenagem extremamente importante. O convite foi feito ?em reconhecimento às suas muitas realizações e conquistas na carreira.?
De acordo com a mensagem enviada pelo presidente da instituição, Roger H.Brown, a música de Milton ?tem influenciado gerações de músicos e enriquecerá, para sempre, a música popular?.
?Se você pegar a lista dos músicos que já receberam essa homenagem, só tem gigantes. Então, esse título que recebi em Boston certamente ficará marcado para sempre?, afirma. Em anos anteriores, foram agraciados com o título músicos como Julio Iglesias, Jimmy Page, Carole King, Duke Ellington, entre outros.
Para o ano que vem, Bituca pretende começar em março uma nova turnê, ?com canções escritas ao longo da carreira que trazem forte conteúdo social?. Também será lançado um livro com suas letras.
NOVAS GERAÇÕES
O contato com novos artistas é uma das marcas na carreira de Milton Nascimento. Ele conta que sempre foi ligado a novos artistas, desde que lançou Lô Borges junto no ?Clube da Esquina?, em 1972. Entre as parcerias mais recentes estão shows com o rapper paulista Criolo e gravações com o cantor Dani Black, filho de Tetê Espíndola. Eles alternam os vocais em ?Maior?, canção do álbum mais recente de Black, ?Divino?.
?Eu sempre fui ligado em novos artistas?, ressalta o músico de 74 anos. Mas, para a realização dessas últimas parcerias, Milton contou com o apoio de sua equipe. ?No caso do Dani Black e do Criolo, essa ponte foi feita exclusivamente pelo Danilo, o Japa, meu assessor de imprensa. Dani Black disse no ?Programa do Jô? que eu o chamei para conhecer suas músicas, quando, na verdade, isso se deve ao Japa e ao meu filho Augustinho, que, junto do Marcus Preto, organizaram os encontros e me apresentaram ao Dani Black?, detalha.