Nascido em Camapuã, Arce Correia participou de um programa no SBT no domingo e tirou nota máxima
Schimene Duque Weber
Publicado em 03/11/2017 às 08:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:00
Crédito do vídeo: Schimene Weber
O ator sul-mato-grossense Arce Correia, criador e intérprete da personagem Maria Quitéria, deu seus primeiros passos na carreira teatral em Aquidauana, na escola agrícola (CERA). Ele participou no último domingo (29) do programa Silvio Santos e ganhou elogios do dono do SBT, dando orgulho ao município onde tudo começou.
Ele é natural de Camapuã e, após pegar gosto pela atuação em Aquidauana, profissionalizou-se em Campo Grande e seguiu para São Paulo em busca de aperfeiçoar a sua carreira.

Durante 17 anos, o ator construiu sua formação para as artes cênicas por meio de diversas atividades artísticas. Concluiu a graduação superior pela Escola de Arte Dramática na USP e Universidade Anhembi Morumbi.
Entrevista Exclusiva
Em entrevista ao jornal "O Pantaneiro", Arce falou sobre sua aparição em rede nacional. "Eu tinha muita vontade de conhecer o Silvio. Eu o admiro muito. Enquanto comunicador, animador de platéia e pessoa que lida com o público, eu acho ele um profissional incrível. Ele é extremamente inteligente, carismático e eu o considero uma referência muito grande no que diz respeito à atuação com o público, então, pra mim, foi muito legal ter participado, já na minha primeira aparição no SBT, do programa dele", pontuou.
O ator também falou sobre a importância da arte em sua vida. "O teatro, para mim, é minha condição de vida. Não foi uma opção. O que eu optei no teatro foi assumir aquilo que eu sinto que tenho capacidade de fazer. Eu não consigo não fazer teatro. Então, por isso que eu faço. A importância, portanto, é estrutural. É a estrutura da minha vida. É como eu posso ser melhor e o que eu tenho de melhor para fazer. É a atuação, é o teatro. A atuação, de maneira geral, e o teatro é o meu berço. Com ele eu aprendo a ser gente", disse.
Durante a entrevista, o artista também comentou sobre seus projetos atuais e futuros. "Eu tenho muita vontade de trabalhar com processo de formação de atores. Eu gosto muito de fazer isso, de dirigir espetáculos, mas isso de uma maneira mais ampla. Mais específica, eu estou em um projeto de estudo de um trabalho que reúne corpo, voz e escrita. Eu estou em um projeto de escrita e vou levantar um espetáculo a partir de textos autorais. Não posso falar muito, pois ainda não tenho um formato definido, mas é isso", explicou.
Sobre sua trajetória para a descoberta artística, Arce falou sobre a importância de sua ida para São Paulo. "Todo o aprendizado mais aprofundado sobre o teatro e sobre mim, viagens, expansão cultural, se deu graças à minha vinda para São Paulo. Aqui, eu entendi melhor que tem muita coisa para ser vista, vivida, feita, e que tudo que eu entendo por arte e por teatro, ou até mesmo sobre a vida, é só um miolinho. Existem camadas e camadas imensas. É como se vir pra cá fosse uma ação de enfiar a mão pela boca, pegar o que eu tenho por dentro e puxar para fora. Eu virei e me revirei aqui", esclareceu.
Ele também deu destaque para a sua visão da atual cena contemporânea artística. "Eu acho que tem uma modificação bem grande da tendência e da realização do teatro em relação a como eu cheguei no teatro, como eu conheci, como eu comecei. Eu comecei a fazer teatro sem ver teatro, sem saber o que era o teatro. Quando eu participei do grupo no CERA, com o professor Paulo Correia, eu comecei a fazer as peças, mas eu nunca tinha assistido uma peça profissional. O trabalho com mais características de uma peça teatral eram as peças do CERA, que eu já tinha visto uma ou duas. Em 97 eu fui indicado a um prêmio no Festival Sul-Mato-Grossense de Teatro e foi quando eu tinha assistido as minhas primeiras peças. Então, eu fui descobrindo que era uma coisa que existia em mim e acho que até antes de mim", comentou, emocionado.
Com espetáculos de teatrais, ele já fez apresentações internacionais no Chile, no Peru e na Colômbia. Com a personagem Maria Quitéria, o ator já se apresentou na Espanha.
CERA
O professor Paulo Correia, uma das referências de Arce no teatro, também falou com a nossa equipe de reportagem sobre a época em que o ator ainda era um aluno e começava a caminhar na carreira artística. "Ele era um artista natural. Tinha muita facilidade e uma memória espantosa. Ele conseguia saber o texto de todo mundo da peça, então quando faltava um no ensaio, ele repetia todinho o texto. A memória textual dele é fantástica", disse.
Seguindo a entrevista, o professor falou sobre o talento nato do artista. "Ele falou, na época, que ele queria fazer teatro. Na época, os próprios alunos escolhiam os elementos que iriam fazer a peça do ano e, na primeira vez, ele não foi aprovado pelos colegas. E ele ficou frustrado. Mas foi interessante que, no último ano dele, nós fizemos uma peça sobre o saudoso Rubens Correia. Então, a gente deixava livre para os atores escolherem o seu papel e aí cada um escolhia um e, em caso de embate, o grupo decidia. E, curiosamente, ele não se apresentou para fazer o papel do Rubens e ele era o principal elemento. Eu fui conversar com ele e ele disse que era porque o Rubens era claro e, ele, escuro. Aí eu intervi, dizendo que, no teatro, você está representando. Então, ele se apresentou e foi um grande papel, concorrendo até como um dos melhores atores da apresentação", relembrou.
Sobre o reconhecimento, agora nacional, de Arce, ele demonstrou estar contete. "Eu fico muito feliz, né? Porque não era a finalidade do teatro do CERA formar ou preparar atores. Isso acontece por acaso. Então, eu fiquei feliz porque alguém do grupo de teatro resolveu fazer disso a sua profissão", finalizou.
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