Com produções típicas pantaneiras, o desafio atual é ter mais jovens tomando gosto pela leitura
Liliane Paiva Silva dos Santos
Publicado em 23/04/2018 às 16:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:01
Em celebração ao Dia Mundial do Livro, comemorado nesta segunda-feira (23), escritores da terra, têm lutado pela ampliação do espaço literário e da valorização da produção de Aquidauana e região. Nomes importantes do cenário, como Raquel Anderson, Agenor Martinho Correa, José Pedro Frazão, por exemplo, retratam, em suas produções, o dia a dia do homem regional, do pantaneiro.
Em entrevista ao jornal O Pantaneiro, Raquel Anderson, 53, conta sua trajetória e diz, com satisfação, que sua escrita é fruto de inquietações pessoais. Escritora desde 2015, Raquel é historiadora por formação acadêmica e uma leitora compulsiva. Mas se mostra preocupada com o sucateamento das universidades federais e a retirada da literatura dos currículos escolares.
“Apesar desses entraves, a produção literária de Mato Grosso do Sul tem crescido de maneira interessante e temos uma força grandiosa da Academia Sul mato-grossense de Letras que tem tomado rumos mais modernos e a UBE (União Brasileira de Escritores) da qual faço parte tem apontado alguns mecanismos de interação com a sociedade e felizmente estamos trilhados um caminho mais amplo”, avalia Raquel.
Autora de Oswaldão, obséquios pantaneiros (2017), o livro relata memórias de homens pantaneiros que viveram no pantanal por 50 anos quando não existia o advento da tecnologia. Raquel ainda relata que o escritor hoje, em tempos de internet, pode ser colaborativo, mas segundo seu ponto de vista, a superficialidade é perigosa. ”As pessoas não se aprofundam mais, pois tudo está ligado ao imediatismo e não contemplam mais as coisas simples do dia a dia.”
Autores preferidos de Raquel Anderson - Aos jovens ou iniciantes no mundo da literatura, a escritora indica leituras dos clássicos como: Jorge Amado, Chico Buarque, Dostoievsky, Manoel de Barros, João Guimaraes Rosa, Clarice Lispector.
Literatura pantaneira
O escritor sul mato-grossense José Pedro Frazão começou sua escrita ainda na escola primária, na tentativa de imitar Monteiro Lobato, na qual sua mãe se admirava e o incentivava com elogios. Aos 62 anos, Frazão se tornou membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em 2002. Sua posse aconteceu em Aquidauana, 2002, e fez parte das atividades do aniversário do município, também foi vice-presidente dá ASL e atualmente é Secretário e em 2016 venceu o Concurso Nacional de Poesia, com um soneto.
Autor de 3 livros, Inferno Jamais (sob o heterônimo de Abel Vicente), Nas águas do Aquidauana eu andei e Tuiuiú my brother (esses dois, romance ecológico), Frazão já tem mais 3 livros em fase de produção.
Para o escritor, os livros de papel enfrentam grande concorrência com as plataformas digitais, mas sempre terão espaço cativo aos amantes da literatura. “A obra impressa hoje enfrenta uma grande concorrência tecnológica. Muitos papéis estão sendo suplantados pela internet. Porém, o livro impresso nunca morrerá, pois ele é a garantia do registro literário para a história”, afirmou.
Frazão relata que a internet é responsável pela revelação de muitos autores e também de leitores, além de ser uma grande invenção que democratizou a informação e a cultura. “Todavia, essa facilidade também tem o seu preço negativo, que é a mistura do bem e do mal no mesmo espaço”, acrescentou.
Livros de Frazão - Ao ser questionados sobre obras que indicaria o autor também menciona os clássicos da Literatura, como obras de Machado de Assis (contos) é o ícone Dom Casmurro; Drummond, Manoel de Barros e Cecília Meireles e para os mais evoluídos, não deixar de ler "Dom Quixote" de Cervantes, cuja data de falecimento, 23 de abril, celebrada para o Dia Mundial do Livro.
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