Arte & Cultura
“Retratos biográficos da Baía Negra” mostra contrastes da vida de famílias da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra
A vida de ribeirinhos e ribeirinhas da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, localizada em Ladário, é tema da exposição fotográfica “Retratos biográficos da Baía Negra”, que será lançada na 13ª Primavera dos Museus, no Museu da Imagem e do Som, na próxima segunda-feira (23).
As fotos lançam um olhar sobre a vida da população tradicional que vive dias de contraste entre a exuberante natureza pantaneira e a violação de direitos básicos como saúde, educação, trabalho, lazer e moradia.
Na composição estão retratos de doze personagens, além de fotos que representam seus cotidianos e textos jornalísticos interpretativos dos jornalistas Edson Silva e Loraine França. O trabalho é parte das ações do projeto de pesquisa “De frente para a América do Sul: um olhar biográfico sobre assentamentos humanos sul-americanos na perspectiva dos direitos humanos fundamentais”, desenvolvido pelo Griot – Laboratório de Investigação em Jornalismo, Direitos Humanos e Narrativas Complexas (UFMS/CNPq), que investiga exaustivamente o status de populações como ribeirinhos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais.
Exposição revela a dualidade da vida dos ribeirinhos em Ladário. Imagem: Loraine FrançaOs jornalistas têm como parâmetros de análise a teoria de construção de fenômenos sociais que colocam em evidência a situação biográfica de pessoas e comunidades. São levados em consideração, também, os marcos legais como Constituição Federal brasileira, convenções internacionais e legislações específicas que preveem direitos de crianças e adolescentes, idosos, mulheres, negros, indígenas e trabalhadores. As investigações na Baía Negra ocorrem desde 2017. Uma das referências que inspiraram a exposição “Retratos biográficos da Baía Negra” é a grande a grande reportagem multimídia “Eles vivem no meio da rodovia”, que à época, denunciou as violações de direitos na comunidade.
Na abertura da exposição, a presidente da Associação dos Moradores e Produtores Rurais da Codrasa (Baía Negra), Júlia Gonzales e as moradoras Zilda do Nascimento e Maria José Justiniano, personagens da exposição, vão expor trabalhos artesanais com a fibra do camalote realizados pelas mulheres da comunidade, além da venda de produtos como geleia de laranjinha-de-pacu e doce do jaracatiá, que garantem sustento das famílias. As mulheres também estarão disponíveis para conversar e trocar experiências com o público que deseja conhecer mais a APA Baía Negra.
Baía Negra
Criada em 2010, a Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra é a primeira Unidade de Conservação de Uso Sustentável instituída no pantanal de Mato Grosso do Sul. Entre as principais características desses locais estão a preservação do meio ambiente e a garantia do uso sustentável pelas populações tradicionais. Localizada em Ladário, a 430 Km de Campo Grande, no local residem 22 famílias ribeirinhas, totalizando 84 pessoas. As moradias estão construídas à beira da rodovia Transpantaneira, que ligaria o município a Cuiabá, mas teve suas obras paralisadas e abandonadas ainda na década de 70. O lugar também é conhecido como antiga estrada da Codrasa.
Serviço
Exposição fotográfica “Retratos biográficos da Baía Negra”
Data: 23 de setembro de 2019
Horário e Local: 19h/Museu da Imagem e do Som (MIS)
Endereço: Av. Fernando Corrêa da Costa, 559, prédio da Fundação de Cultura, 3º Andar, Centro, Campo Grande. Entrada gratuita
Curadoria e contato
Edson Silva
(67)99271-8018
Loraine França
(67)99665-7922
e-mail: griot@terra.com.br
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