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Conta de luz ainda precisa subir mais 27% para cobrir rombo, diz estudo

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Mesmo com o aumento da taxa extra cobrada na conta de luz dos brasileiros, o valor total arrecadado não será suficiente para cobrir as despesas adicionais com geração de energia elétrica. Segundo cálculos da consultoria MegaWhat, ainda haverá um rombo de R$ 5 bilhões.

Em agosto, o governo criou uma nova bandeira tarifária, chamada de bandeira de escassez hídrica. Com ela, há uma cobrança de R$ 14,20 por 100 kWh consumidos.

De acordo com a consultoria, apesar de a arrecadação estimada com a nova taxa girar em torno de R$ 24,03 bilhões, os gastos a mais causados pela escassez de chuvas no país devem ser de cerca de R$ 29 bilhões.

Risco pela falta de chuvas

Para Ana Carla Petti, presidente da MegaWhat, o gasto com o chamado risco hidrológico é o que mais impacta nesse número, chegando a aproximadamente R$ 20 bilhões. "As hidrelétricas têm uma expectativa de geração média de energia em um ano. Mas a geração, em si, acaba variando, por depender dos fenômenos climáticos [chuvas]. Se ela é variável, existe o risco de gerar muito menos energia do que o esperado. Quando isso acontece, as hidrelétricas precisam cobrir esse déficit comprando energia de alguém. Esses são os gastos com o risco hidrológico", disse.

Taxa só cobriria custo se subisse para R$ 18

Segundo dados da MegaWhat, para que o déficit na conta fosse coberto pela arrecadação, a taxa extra na conta de luz deveria ser de R$ 18 por 100 kWh -uma alta de cerca de 27% em relação aos atuais R$ 14,20.

De acordo com Petti, a situação deverá se estender até abril.

"Hoje enxergamos que vai haver necessidade de um despacho termelétrico alto, a bandeira elevado de R$ 14,20 deverá ser válida até abril de 2022 e imaginamos que, quando chegar lá, o operador do sistema e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) já vão ter um melhor entendimento de como os reservatórios estarão e pode ser que seja revisto esse valor de bandeira tarifária", afirmou.

"Se a situação se agravar mais, pode ser que haja ainda mais extraordinária. Mas acho que é bem improvável", disse.

Quem paga? A cada R$ 1 bilhão de despesas descobertas no setor, o consumidor pode arcar com até 1 ponto percentual de alta na conta de energia. Portanto, caso o déficit de R$ 5 bilhões se mantenha, as empresas de energia poderiam repassar um aumento de cerca de 5% no ano que vem.

Para o economista e advogado Alessandro Azzoni, caso o déficit seja repassado diretamente para o consumidor, poderá impactar o setor produtivo e haver uma alta ainda maior da inflação.

"Já há uma projeção de que esse aumento repassado é para tentar suprir essa diferença. Mas, como [a alta da tarifa] vai até abril, se eles fizerem mais um aumento tarifário, pode impactar ainda mais o setor produtivo. Por isso, existe até mesmo uma chance de ficar deficitário mesmo", disse.

"A inflação já deve ultrapassar os 7,5%. Caso haja aumento dos combustíveis, que também são utilizados pelas termelétricas, todo esse reajuste pode jogar a inflação ainda mais para o alto", completou.

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