Montante disponível cresceu em julho e alcança 23,57 milhões de pessoas físicas; empresas também têm cerca de R$ 1,40 bilhão para resgatar
Rhobson Tavares Lima - Jornalista
Publicado em 08/09/2026 às 16:04
Atualizado em 10/09/2026 às 14:32
O dinheiro “esquecido” em bancos e outras instituições financeiras voltou a crescer e chegou a R$ 5,65 bilhões em julho. Os dados foram divulgados pelo BC (Banco Central) nesta terça-feira (08) e mostram aumento em comparação aos R$ 5,12 bilhões registrados no mês anterior.
Do total disponível, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,40 bilhão estão disponíveis para aproximadamente 2,19 milhões de empresas.
A consulta é gratuita e pode ser feita pelo SVR (Sistema de Valores a Receber), ferramenta do Banco Central que permite verificar a existência de recursos deixados em bancos, cooperativas de crédito, administradoras de consórcios, instituições de pagamento e outras empresas do sistema financeiro.
Apesar de o estoque ultrapassar R$ 5 bilhões, a maior parte dos beneficiários tem quantias pequenas disponíveis para retirada.
De acordo com o Banco Central:
Os recursos podem ter várias origens, entre elas saldos de contas encerradas, tarifas cobradas de forma indevida, valores relacionados a consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito.
Os bancos respondem pela maior fatia dos recursos que ainda aguardam resgate. Na sequência aparecem as administradoras de consórcios e as cooperativas.
A distribuição dos valores é a seguinte:
Desde que o Sistema de Valores a Receber foi criado, o Banco Central já restituiu mais de R$ 16 bilhões aos titulares.
Até julho, cerca de R$ 11,9 bilhões haviam sido devolvidos a pessoas físicas, enquanto aproximadamente R$ 4,2 bilhões foram destinados a empresas.
Considerando os recursos que já retornaram aos donos e aqueles que continuam disponíveis, o sistema contabiliza cerca de R$ 21,8 bilhões em valores a receber.
Somente em julho, aproximadamente R$ 323 milhões foram resgatados.
Uma parcela do dinheiro que permanecia disponível no sistema foi direcionada pelo governo federal para iniciativas de renegociação de dívidas.
Os valores que tiveram seus direitos transferidos à União foram destinados ao FGO (Fundo Garantidor de Operações), utilizado para oferecer garantias em programas de renegociação, como o Desenrola.
Essa movimentação ajudou a diminuir o estoque disponível nos meses anteriores. Em julho, entretanto, o volume voltou a apresentar crescimento.
A consulta aos valores é gratuita e deve ser feita pelo Sistema de Valores a Receber do Banco Central. Na primeira etapa, pessoas físicas precisam informar o CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) e a data de nascimento. No caso de empresas, são solicitados o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) e as informações indicadas pelo sistema.
Quando houver dinheiro disponível, o acesso para solicitar a devolução exige uma conta Gov.br de nível prata ou ouro.
O procedimento inclui:
Quando aparecer a opção “Solicitar por aqui”, o valor poderá ser devolvido por Pix. Caso a pessoa não tenha Pix ou não possa utilizar essa modalidade, o próprio sistema indicará a possibilidade de entrar em contato diretamente com a instituição financeira.
Desde maio de 2025, pessoas físicas podem optar pelo serviço de devolução automática dos valores a receber.
A adesão é voluntária e exige uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada, além de uma chave Pix vinculada ao CPF.
Depois da ativação, os valores que se enquadrarem nas regras são depositados automaticamente na conta cadastrada, sem que seja necessário fazer uma nova solicitação sempre que um recurso for localizado.
O Banco Central reforça que o serviço não cobra nenhuma taxa e que a consulta deve ser realizada exclusivamente pelos canais oficiais.
O BC não envia links nem entra em contato para pedir senhas, dados pessoais ou códigos de autenticação relacionados aos valores disponíveis. Também não é necessário fazer qualquer pagamento para liberar o dinheiro.
A recomendação é:
O sistema também permite consultar valores deixados por pessoas falecidas. Nesses casos, o acesso é destinado a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, que precisam atender às exigências estabelecidas pela plataforma.
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