A jovem indígena sul-mato-grossense Dara Ramires Lemes, 19 anos, passou em primeiro lugar em dois vestibulares para medicina. Ela é moradora da aldeia Tey?kuê, em Caarapó, município distante 364 quilômetros de Aquidauana, e estudante da Escola Estadual Indígena Yvy Poty.
O primeiro resultado saiu na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul, na qual concorria com 121 pessoas para duas vagas no curso. Na terça-feira (20) veio o resultado do vestibular na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), no interior de São Paulo, onde Dara conseguiu fazer 32 pontos de 40 questões.
?Estou muito feliz, pois estudei de oito a dez horas por dia, durante um ano, para conquistar isso. Minha ficha ainda não caiu, mas acredito que só vai cair quando eu estiver lá na universidade?, conta a jovem, cheia de expectativas.
No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), Dara alcançou 760.0 em redação, mostrando que a escola tem professores capacitados. ?Desde criança estudei na escola indígena, sempre fui esforçada e os professores nunca me negaram ajuda. Sempre que tinha dúvidas eles me ajudavam, e hoje eu devo o resultado dos vestibulares a eles também, pois se não fosse a disponibilidade e paciência deles talvez eu não teria ficado em primeiro lugar?, agradece.
Dara já decidiu cursar medicina na UFSCar e diz que seu maior objetivo é terminar o curso, voltar para Caarapó e ajudar sua comunidade, pois, segundo ela, há a necessidade de médicos que falam a língua Guarani dentro da aldeia. ?Nós, indígenas, temos uma dificuldade muito grande de se comunicar com o branco?, explica. Ainda segundo a jovem, com sua presença na aldeia, como médica, ela poderá ajudar mais os índios, pois entenderá claramente qual doença está afligindo-os, além disso, ela terá uma facilidade maior de comunicação com eles, pois já fala a língua e sua família é de lá. (*Com informações da SED e Caarapó News)