Lara concluiu o ensino médio no IFMS de Aquidauana. A mãe também conseguiu uma aprovação e será colega de faculdade
Karina Aguilar
Publicado em 25/01/2024 às 16:32
Atualizado em 10/09/2026 às 14:26
Mais uma estudante do Instituto Federal de Mato Grosso do SUl (IFMS), do Campus Aquidauana, foi aprovada para o curso de Medicina em uma instituição pública federal.
A mirandense Lara Machado Martins, de apenas 16 anos, foi aprovada na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e agora se prepara para viver essa nova etapa da vida após ter concluído o curso de Técnico Integrado em Informática.
Em entrevista ao site O Pantaneiro, Lara conta que quem sempre a apoiou na jornada de estudos foram os pais Catarino Gabriel Martins Junior, Diretor Adjunto da escola indígena Cacique Timóteo, da Aldeia Cachoerinha, em Miranda (MS) e sua mãe, Daniele Rocha Machado. Outra grande surpresa para a família, além da conquista de Lara, foi a aprovação de sua mãe, Daniele, no curso de Psicologia, também pela UFGD. Aos quase 40 anos de idade, Daniela afirma, que acompanhava as filhas durante as diversas provas de vestibular e Enem, e, sem contar a ninguém, também realizava as provas para tentar ser aprovada e conquistou o sonho de retornar à faculdade após anos longe da sala de aula.
A caloura de medicina, Lara, que deverá também ser a estudante mais nova de sua sala, diz que é apaixonada por animais de estimação, especialmente galinhas (que dormem com ela no quarto) e conta que não acreditava inicialmente que conseguiria ser aprovada no curso mais concorrido da universidade. Adiantada dois anos na escola desde a fase da pré escola, já que aprendeu a ler sozinha aos 3 anos de idade, ela tinha uma rotina pesada de estudos mas nunca deixou de curtir o lado bom de morar em uma cidade do interior.
Além de viajar todos dias de ônibus 140 km aproximadamente de Miranda para Aquidauana para estudar, Lara tem o diagnóstico de Autismo, o que não desmotivou a família a investir na autonomia e independência da estudante. Nas fotos, é possível verificar que a estudante sempre está acompanhada de seu cordão de identificação de portador de autismo. 
Já a mãe, Daniele, tem o diagnóstico de Dislexia e por conta de uma doença precisou abandonar a faculdade quando era mais jovem. Durante a pandemia, porém, aproveitou para acompanhar as aulas remotas do IFMS junto à filha que assistia em casa as transmissões e voltou a desenvolver o hábito dos estudos. Com o retorno das aulas presenciais, ela aguardava a chegada de Lara, em Miranda, para que a filha repassasse todo o conteúdo ministrado pelos professores em sala.
Durante o vestibular, Daniele realizou por opção própria a prova através de atendimento especializado, assim como a filha. Este atendimento especializado tem o objetivo de assegurar acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência e é considerado um dos pilares inclusivos pois cuidam de eliminar qualquer espécie de barreira discriminatória e excludente em obediência ao princípio constitucional da Isonomia. Além disso, está previsto em prerrogativas legais de atendimento que devem ser observadas por escolas, faculdades, concursos vestibulares e concursos públicos.
Com a aprovação, neste momento mãe e filha se preparam com grande expectativa para a mudança para o município de Dourados, maior cidade do interior do Mato Grosso do Sul para o início das aulas, que devem começar em 18 de março. Já o pai, por ser concursado, deverá permanecer em Miranda (MS) e de longe torcendo e acompanhando a conquista das duas.
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