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Dia dos Professores

No dia 15 de outubro, professores falam sobre o poder da educação

Em dia de comemoração, O Pantaneiro conta a história e a rotina de dois professores que atuam no ensino municipal, estadual e particular

Diretor e professores reunidos para pintar a escola em uma manhã de sábado / Arquivo Pessoal

“A educação mudou a minha vida e a da minha família. Meus pais não tem estudo. Vivíamos num sítio e trabalhávamos na roça. Hoje eu sou professor, minha irmã também é, além do meu cunhado e da minha esposa. Acreditamos que a educação salva e transforma uma pessoa”. Leandro Colombo Pedrini, tem 36 anos, há 14 é professor do município, e há quatro assumiu a direção de uma escola estadual. Com uma rotina diária de três turnos de trabalho, ele relembra que viu na profissão uma possibilidade de mudar a sua vida.

“Sou de Jales, interior de São Paulo, e na minha cidade, naquela época não havia muitas opções de curso. Sempre fui bom e gostei de matemática, resolvi cursar a faculdade e me tornar professor”, lembra.

Estudando e trabalhando em uma empresa para pagar seus gastos e auxiliar nas contas da casa, Leandro conta que ao se formar pediu demissão e começou a trabalhar viajando para ganhar mais e conhecer outras cidades na esperança de melhorar de vida . “Quando me formei, em 2005, comecei a trabalhar de ‘chapa’ de caminhão (assistente de motorista), e ao chegar em Campo Grande vi que estava aberto o concurso para professor da rede estadual. Fiz a inscrição e passei na prova. Logo em seguida passei para o município também. Foi uma grande conquista”.

Casado, pai de dois filhos, Leandro mostra ser apaixonado por sua profissão e tem muito orgulho do rumo que sua vida tomou, porém vê com tristeza a forma com que a educação vem sendo tratada.

“Foi através dela que eu consegui me formar, passar em dois concursos, fazer mestrado e ter meu salário garantido no fim do mês. A educação transforma vidas, e ver o descaso e a negligência de como ela tem vem sendo tratada é algo que me preocupa. A ausência da família no desenvolvimento da criança e do adolescente, jovens que não respeitam os professores, cortes nas verbas para universidades, diminuição de bolsas de estudo. Isso tudo é muito triste”, lamenta. Mesmo com tantos desafios, Leandro acredita no poder e na força da educação.

Felipe com os alunos em uma aula de geografia em campo

Felipe Lucero também acredita que um professor pode mudar a vida de um aluno. Licenciado em geografia há três anos, ele conta que dar aula nunca esteve em seus planos, mas inspirado por seus professores no último ano da escola, mudou de opinião. “Vi a importância da profissão e como os professores tentam preparar o aluno para vida, contribuir para formação do cidadão,” relembra.

Hoje divide sua vida entre aulas em uma escola estadual e uma particular. “Toda tarde de domingo começo a planejar meu conteúdo da semana. Trabalho no Estado de manhã, almoço na escola, pois possuem o sexto tempo, ou seja, aula até 12:h20,e às 13h tenho que estar no outro colégio, onde saio às 17h30, aí tento corrigir minhas atividades no final do dia”, explica.

Sobre os rumos que a educação brasileira vem tomando, Felipe fala que a sociedade vem enfrentando problemas com o aumento da violência e da tecnologia, e a escola está tendo que aprender a se modernizar rapidamente.

“Acredito que antigamente a concorrência de atividades e a informação era menor, então a escola servia exclusivamente para aprender. Hoje o acesso à informação é muito rápido, o aluno consegue aprender muitas coisas sozinho na internet, mas infelizmente ele não faz isso, e acaba ficando restrito apenas em redes sociais. Há também a falta da educação familiar que dificulta muito nosso trabalho, porque não posso chegar na sala e não considerar as dificuldades que cada aluno enfrenta diariamente. E em meio a tudo, preciso despertar o desejo dele, principalmente a curiosidade. Concorrer com as novas tecnologias é um desafio. é preciso aliar as tecnologias com a educação, já que ela é uma enorme ferramenta em prol do professor, mas infelizmente a escola pública falha na falta de estrutura e suporte aos professores. Com isso, o professor assume muita responsabilidade e fica sobrecarregado”, desabafa.

Mesmo com tantos desafios pela frente e o receio de não ter a mesma disposição daqui 20 anos, Felipe conta que faz o possível para manter-se motivado e continuar atuando com o mesmo amor que tem hoje por sua profissão.

“Atualmente tenho inúmeros projetos, todos a parte da sala de aula (voluntario). Minha aluna terminou em 3º no jovem Senador, que é uma redação, na Iniciação cientifica participei com 3 projetos/artigos na SBPC, na Feira do IFMS estive com 5 projetos. Comecei um projeto na escola de empreendedorismo, uma miniempresa que acontece em algumas escolas. Organizo visitas técnicas e a formatura do terceiro ano. Isso ocupa muito meu tempo, todavia consigo se organizar, separando meu tempo certinho. Espero não se decepcionar com a educação, nem acabar com os projetos ou ser aquele professor rotineiro. Acreditar na mudança é ser a mudança. E eu acredito nisso. A educação, talvez seja, a única forma de transformação social, e o único caminho de modificar algo cultural, por exemplo”.

Como surgiu o Dia do Professor

No dia 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I instituiu um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. Além disso, o decreto estabeleceu a regulamentação dos conteúdos a serem ministrados e as condições trabalhistas dos professores.

Em 1947, o professor paulista Salomão Becker, em conjunto com três outros profissionais da área, tiveram a ideia de criar nessa data um dia de confraternização em homenagem aos professores e também em razão da necessidade de uma pausa no segundo semestre, até então muito sobrecarregado de aulas.

Mais tarde, em 1963, a data foi oficializada pelo decreto federal nº 52.682, que, em seu art. 3º, diz que “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”.

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