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Ministra reclama, mas vem mais surra em 'Fina Estampa'

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Após alguns tapas na cara e uma tentativa de enforcar a mulher, o personagem Baltazar (Alexandre de Nero), da novela das 9 da Globo Fina Estampa, entrou na lista negra da ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres.
 
No último dia 6, ela enviou à emissora uma sugestão de que Celeste, a personagem vítima (Dira Paes), procurasse a Rede de Atendimento à Mulher, para dar exemplo de conduta. Em comunicado oficial, a Globo informou que a trama pretende fazer o ?telespectador refletir e chegar ao seu bom juízo de valor?. Em resposta a intromissão, o novelista Aguinaldo Silva, afirmou, em seu blog, que uma virada na trajetória da personagem já estava prevista, que vai por fim ao seu sofrimento.
 
Baltazar é mais um dos temas na TV que incomodaram a ministra em questão. No mês passado, ela pediu a suspensão de uma propaganda em que a top Gisele Bündchen aparece de lingerie insinuando como enganar o marido. Em seguida, criticou o humorístico Zorra Total, da Globo, e apoiou o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que alegou que o quadro com as personagens Janete (Thalita Carauta) e Valéria (Rodrigo Sant?anna) estimularia o assédio nos vagões. Na semana passada, enfim, a ministra enviou o ofício à Globo, manifestando-se sobre a personagem Celeste.
 
Ao JT, Aguinaldo Silva confirmou que a mulher de Baltazar irá denunciá-lo. ?Ele vai ser preso. Quando isso acontecer, a ministra vai dizer que eu recuei?, diz o autor, que contou que os capítulos com a cena foram entregues à Globo antes da polêmica começar. Já o colega de emissora, Maurício Sherman, diretor de Zorra Total, recebeu uma carta da Secretaria de Assuntos das Mulheres do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, afirmando que os personagens do quadro Metrô Zorra Brasil) banalizavam o assédio sexual. Mas Sherman, em vez de mudar os rumos da atração, contou ao JT que, pelo contrário, programa a expansão do quadro. Em breve, receberá convidados. Um deles, segundo o diretor, será a cantora Alcione. ?Não recebemos nenhuma comunicação formal. Então, a participação da Janete continua igual?, diz. Inclusive com a cena em que ela sofre abuso? ?Sim, normal?, diz Sherman.
 
Ainda fora da mira da ministra, a Record também retrata um conflito semelhante em sua trama de horário nobre, Vidas em Jogo. No folhetim de Cristianne Fridman, Zizi (Lucinha Lins) também sofre com a violência do marido, Adalberto (Luiz Guilherme). Em um capítulo recente, inclusive, a personagem foi puxada pelos cabelos.
 
Censura e recuperação
 
Aguinaldo Silva, que escreve para a TV há mais de 30 anos, contou que está se sentindo censurado pela ministra Iriny Lopes. ?Uma coisa que está me assustando é que fiz Senhora do Destino (2004), Duas Caras (2007) e senti uma escalada de repressão impressionante. Como não existe uma censura oficial, estou começando a achar que antes, nos anos 70, era melhor porque existiam regras?, diz o novelista. E emenda: ?Todo mundo tem um caso de violência na família. No caso da Celeste, ela vai seguir passo a passo, até tomar uma atitude. É novela.?
 
Mas Celeste terá que levar ainda mais uma surra, prevista para os próximos capítulos, para enfim ir à delegacia. Baltazar é preso, mas como tem emprego fixo e nenhum antecedente criminal tem a pena relaxada. E ainda terá ajuda da patroa, Tereza Cristina (Christiane Torloni), que não quer ficar sem motorista. Mas isso não quer dizer que ele terá o caráter recuperado. ?De forma alguma, ele continua mau caráter?, diz Aguinaldo. Ao sair da prisão, ouvindo os conselhos de Crô (Marcelo Serrado), vai parar de implicar com o funk da filha Solange (Carol Macedo). ?O Crô diz que a menina tem talento. Daí ele vira empresário dela?, conta.
 
Curiosamente, em pesquisa recente feita pela Globo, Baltazar apareceu em terceiro lugar como o personagem masculino mais bem aceito pelo público. Para o ator Alexandre Nero, a razão é o envolvimento com o carismático Crô. ?Apesar de violento, as pessoas gostam de ver o Crô alfinetando o Baltazar, tem humor.? Aguinaldo observa: ?Na época da pesquisa, as pessoas achavam que ele queria proteger a filha, não tinham noção.?
 
Aguinaldo diz que está desconfiado da ministra. ?Ela está em campanha política (para a Prefeitura de Vitória). Será que não tem intenção eleitoreira??, questiona. O JT procurou Iriny, por meio de sua assessoria, e não teve retorno. A reportagem também procurou a assessoria da presidente, que disse que Dilma Rousseff não vai se pronunciar sobre o assunto.
 
Para o sociólogo da USP Laurindo Leal Filho, os casos apontados são formas que a TV e a publicidade buscam para ganhar audiência, afrontando avanços já conquistados pelas mulheres.
 
Na Record, Cristianne Fridman, segue com seu drama familiar. ?As mulheres tiveram inúmeras conquistas, mas infelizmente ainda há um grande número que sofre a violência doméstica calada. É importante abordar o tema não só pelo ponto de vista da mulher, mas também do agressor?, reflete Cristianne.

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