Um de meus grandes amigos é próximo a Michel Teló. Talvez até não concorde com o raciocínio que segue mais próprio de um ministro da vertente pentecostal, dentro do meio evangélico. Mas, não estaria a mão de Deus pesando sobre o consagrado cantor, que teve um hit causando furor, recentemente, até fora do Brasil?
Antes de emitir um parecer sobre o conteúdo das canções de Teló, preciso observar que está difícil ouvir Rádio, hoje em dia. Primeiro pelas tendências claramente políticas de quase todas. Ou seja, uma emissora hoje, ou é a favor ou contra a autoridade que está no poder. Daí, naquilo que já foi uma das coisas mais interessantes das emissoras de Rádio, o jornalismo, a crise de confiança. Tanto as Rádios como seus comunicadores mais proeminentes, na luta pela sobrevivência, nunca fazem um trabalho imparcial. A verba de publicidade e o ?jabá? falam mais alto.
Se isto tem gerado uma crise na relação com o ouvinte que aprecia uma boa informação, ela aumenta quando esse, por lazer ou simplesmente para preencher o tempo, se aventura a ouvir música. Prepondera, hoje, o chamado sertanejo universitário. Além da farsa produzida nos estúdios, maquiando a maioria das vozes, as letras deixam qualquer amante da verdadeira música sertaneja de orelha em pé. Só faltam ?gemeções à la Jane Birkin? na maioria das canções. Tem amasso, transa no carro, na cama quebrada, exaltação as formas, etc. Quanto mais podre a letra, mais ?irada? se torna a música.
Entre os intérpretes desta nova modalidade, que me faz sentir saudades de ligar o Rádio para ouvir MPB, blues e outros ritmos cada vez mais raros no Rádio ? incluindo-se aí, obviamente, a música de raiz ? Michel Teló conseguiu uma projeção extraordinária e por várias razões. Não se tira o mérito de ser realmente um artista completo em itens como domínio de palco, voz e até como instrumentista. É verdade também que nem tudo de sua obra é lixo. Mas esse ?ai se eu te pego...? parece que está sendo uma pedra em seu caminho. Ou não seria isto?
Paralelamente ao estrondoso sucesso, esse hit motiva uma briga na justiça por direitos autorais e teria criado um problema, outro dia, no trânsito. Michel estaria cantando a música, para uma conhecida atriz, no carro, quando essa, talvez embalada pela voz do artista paraná/sul matogro-ssense, ultrapassou os limites de velocidade. Flagrada, não passou no teste do bafômetro. O cantor esquivou-se em fazê-lo. Logo....
No embalo do ?ai se eu te pego?, antes, a esposa já tinha jogado a toalha no casamento. E agora, no pós isto tudo, uma velha pendência jurídica, dos tempos de Grupo Tradição, teve desfecho. Michel e os antigos companheiros terão que indenizar familiares de Goiás, porque simplesmente suprimiram Coxim da música que é o hino da cidade. Pode?
Tudo isto pode ser coincidência? Sim e não. Depende de quem analisa os problemas de Michel Teló. Não fosse um site de ponta de o país ter usado a expressão ?a maldição da música ai se eu te pego? esse texto seria tachado de exagerado e fruto de influência do pentecostalismo na reflexão de seu articulista. Mas, não é que um jornalista de fora do universo religioso aventou a possibilidade? Talvez ele não saiba que Michel Teló, com integrantes do Grupo Tradição, tem raízes numa denominação evangélica. Daí, não custa perguntar: tudo isto não poderia ser um alerta de Deus para que o filho hoje comprometido com a cultura ?mundana? volte à contracultura evangélica?