Aquidauana
Mundo passa por intensas mudanças climáticas, dentre elas o Pantanal com a maior reserva de biodiversidade
O Dia Mundial da Água não se trata meramente de uma data inserida no calendário para relembrar a importância do bem vital para a vida, mas o gritante alerta para preservação e, logo, efetivação de ações concretas para conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos.
De uma forma regional, o Pantanal de Mato Grosso do Sul, a maior planície alagada do mundo, se recupera da maior onda de estiagem, desde 2020, a maior tragédia da história do bioma. O professor de Ciências Biológicas da UFMS/CPAq, Ricardo Gentil, explica ao O Pantaneiro a principal função do Pantanal para a humanidade: de longe a reserva de biodiversidade.
O Pantaneiro - Quais são os principais ativos oferecidos pelo bioma do Pantanal em relação à reserva de água atualmente?
Ricardo Gentil: O Pantanal é um importante reserva de biodiversidade do planeta e muito dessa função é devido à dinâmica dos sistemas aquáticos, principalmente ao pulso de inundação que viabiliza uma diversidade de ambientes que favorece a riqueza de espécies de animais e plantas na região. Apesar de ser uma enorme área úmida, uma das maiores do mundo, o sistema passa por períodos de estiagem seguido de períodos de cheia. Tem importância na pecuária e no turismo, influenciado, principalmente, pelo ritmo das águas.
O Pantaneiro - Quais são as principais pesquisas realizadas hoje na região e quem são os responsáveis?
Ricardo Gentil: Eu atualmente venho desenvolvendo pesquisas direcionadas ao monitoramento e caracterização das águas do Rio Aquidauana (trecho urbano) em parceria com pesquisadores da UFGD. No campus temos outros pesquisadores tanto da biologia quanto da geografia que se dedicam aos estudos da biodiversidade na região e do uso e ocupação do solo. Esses estudos fornecem ao poder público informações relevantes que podem auxiliar na tomada de decisões e em projetos de recuperação ambiental de sistemas degradados.

O Pantaneiro - O mundo enfrenta uma onda de calor cada vez mais intensa e, mesmo assim, existem projetos para transformar parte nativa do Pantanal sul-mato-grossense em pasto. Quais serão os resultados desse tipo de política exploratória?
Ricardo Gentil: Realmente é preciso cautela quando se trata de ampliação de áreas destinadas ao cultivo de grãos e criação de animais. Na região a pecuária tradicional conseguiu ao longo de décadas produzir utilizando gramíneas nativas e respeitando o subir e descer das águas. Culturas que proponham um novo modelo de produção podem, em médio prazo, colocar em risco a integridade do sistema, colaborando inclusive com o declínio da produtividade ou mesmo inviabilizando a produção na região.
O Pantaneiro - É possível explorar economicamente o Pantanal sem agredir, ainda mais, as riquezas naturais da região?
Ricardo Gentil: Como eu disse anteriormente, temos experiências dos primeiros produtores que obtiveram sucesso aliando a produção ao processo dinâmico de cheia e seca na região. A pesca é outra atividade que precisa ser acompanhada com atenção, precisamos investir principalmente na recuperação e conservação de áreas de nascente dos principais rios, o Aquidauana tem suas principais nascentes em terras de São Gabriel do Oeste, município com alta produção de soja do estado, e onde se observa um avançado grau de degradação do solo. A ocupação da bacia pode provocar o carreamento de material para o leito do rio e consequentemente acelerar o processo de sedimentação ampliando o problema do assoreamento, afetando a integridade do rio e colocando em risco fauna e flora do Pantanal.
FIQUE ATENTO
Exames ocorrem nos dias 8 e 15 de novembro e mais de 5 milhões de inscritos devem estar atentos às orientações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
PERIGO
Fogo atingiu um compartimento de aproximadamente seis metros quadrados. Ação rápida das equipes impediu que as chamas se espalhassem para outras áreas do estabelecimento. Não houve vítimas.
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