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Comunicação

Dia do carteiro ativa a lembrança das cartas e cartões postais

50 mil carteiros no Brasil operam na entrega das mais variadas correspondências  

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“Quando o carteiro chegou e meu nome gritou com a carta na mão”. A frase de uma antiga canção é lembrada ainda hoje, sempre que encontramos esse profissional: o carteiro. Um trabalhador que tem no dia 25 de janeiro a data para comemorar essa atividade que, apesar do advento da comunicação eletrônica, atua intensamente na entrega de correspondências e produtos em geral, pelo Brasil afora. 
Em outros tempos, esse profissional tinha um grande volume de cartas e cartões postais a entregar, que inclusive, serviu até de inspiração para uma personagem de cinema, como no filme “Central do Brasil”. O importante é que, com toda a modernidade da comunicação, o carteiro não perdeu seu ritmo e está aí; pelas ruas, pelas, praças e comércio das cidades entregando todo o tipo de correspondência e mantendo a boa relação com os cidadãos.


Para saber como funciona essa profissão e essa empresa secular no Brasil e no mundo, O Pantaneiro conversou com Heverton, um desses profissionais da cidade, que falou sobre a atuação dessa equipe em Aquidauana, que conta especificamente, com nove carteiros.

 

carteiro o pantaneiroHeverton conta as histórias da profissão carteiro em Aquidauana


O Pantaneiro – Há quantos anos a atividade da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) e seus carteiros, atuam em Aquidauana? 

Heverton – Este ano completa 126 anos, iniciou em 1896.


O Pantaneiro – Em Aquidauana, o movimento da Agência é muito grande? Que tipo de serviço a empresa está oferecendo?  
 

Heverton- Sim, sempre tem clientes. Os serviços dos Correios são inúmeros, e são voltados tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, como exemplos: postagens, coleta de mercadorias/encomendas, serviço de malotes, obter documentos como CPF e certificado digital, e também somos responsáveis pelo ENEM, ENCCEJA entrega de livros didáticos entre outros. 
ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) é uma prova gratuita e voluntária servindo para conceder periodicamente "certificados de conclusão de ensino fundamental”, aos estudantes que não fizeram essa etapa da educação no tempo regular.  
ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma prova de admissão à educação superior realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação.
 
 

O Pantaneiro – A tecnologia mudou a atividade de vocês com as redes sociais, como Instagram e Facebook, por exemplo? Vocês ainda entregam as saudosas cartas?
 

Heverton- Sim, é um meio muito utilizado. As redes sociais vieram pra ficar, e os Correios caminham junto; nós carteiros, tivemos todo o apoio para conhecimento e aprimoramento, pois hoje os clientes em tempo real conseguem acompanhar nossas entregas. 
 

O Pantaneiro – O volume de entrega ficou menor ou permanece o mesmo? 
 

Heverton - As entregas vêm ganhando muita proporção. Só em Mato Grosso do Sul, os Correios entregam mais de 100 mil objetos/dia.  
 

O Pantaneiro – Como é a relação de vocês, carteiros, como os moradores, fica uma amizade? E como é o dia a dia do profissional? 
 

Heverton - Ainda é boa, e as amizades permanecem há anos. A maior parte do dia é externa, na rua entregando os objetos postais. Mas temos antes a preparação para as entregas. 
 

O Pantaneiro –Você tem alguma passagem curiosa sobre seus anos de trabalho para contar?  
 

Heverton - Sim, me lembro que no início da minha carreira em um determinado endereço, quando fui entregar uma correspondência a moradora pediu que esperasse um pouco pra buscar a mãe dela, e a Senhora já de idade, acenou de dentro da casa pra mim, não entendi na hora, mas a filha dela me contou que a mãe sempre lembra do carteiro, pois anteriormente quando ela podia andar e ficava na frente da residência, o carteiro era um dos únicos que paravam e davam um bom dia mesmo, não tendo nada para entregar. Ali tive a certeza que os Correios vão muito além de cartas, ele tem um papel importante, que é o social.


Há 188 anos esse profissional promove a comunicação entre pessoas

Uma profissão que existe no Brasil desde o ano de 1835, o carteiro é um trabalhador bastante importante, porque seu ofício de realizar uma comunicação na sua forma mais concreta, como a entrega de pacotes e as mais variadas encomendas aos destinatários é de fundamental importância para esse sistema de interlocução e logística, de maneira que ele assegura que as correspondências sejam encaminhadas com segurança e eficácia.  
A Empresa de Correios e Telégrafos, que é ligada ao Ministério das Comunicações, possui 361 anos de existência no Brasil, e seu efetivo conta com 15 mil unidades em 5.570 cidades brasileiras, realizando um volume de cerca de 12 milhões de objetos entregues por dia, com 23 mil veículos, 1,5 mil de linhas terrestres e 11 linhas aéreas. Do universo dos 87.351 servidores da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), pelo menos 50 mil são carteiros espalhados pelo País que contribuem todos os dias, seja ele de sol ou de chuva, com a comunicação entre pessoas e empresas. 
A atividade de nome carteiro, atribuída ao profissional recebido no portão das residências do Brasil, carrega histórias e curiosidades muito interessantes. Registros apontam que o primeiro carteiro no Brasil teria sido o mensageiro Paulo Bregaro, que no dia 7 de setembro de 1822 teve a tarefa de entregar a D. Pedro I a correspondência com as notícias de Portugal, que culminaram com a Independência do Brasil. Paulo Bregaro acabou aclamado como patrono dos carteiros, por ser considerado oficialmente o primeiro profissional nessa atividade, aqui no País.

 
Da resistência à tecnologia a permanência na qualidade do serviço

Alguns países como Estados Unidos, Reino Unido e Itália, por exemplo, já estão utilizando drones para a entrega de postagens, mas o importante é que, apesar de toda tecnologia, essa relação de entrega e recebimento via corpo a corpo, entre carteiro e cidadão, resiste há séculos e não deve acabar nunca, mesmo diante da ascensão de todo esse artifício. Afinal, quantos cidadãos no Brasil, já não ficaram ansiosos no portão à espera de ouvir o carteiro chegar e seu nome gritar com uma carta na mão? A verdade é que com toda evolução da comunicação, os processos mais remotos devem permanecer como persiste até hoje o digitar do telégrafo, da máquina de escrever, e das teclas de um computador ou um celular. 

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