X

Suicídio

Psicóloga fala sobre desmistificação do suicídio e alerta população para o sofrimento psíquico

A Psicóloga Patrícia Oliveira Borges, que atende no HUMAP, na Capital, fala exclusivamente com a reportagem do jornal "O Pantaneiro" sobre o assunto

Compartilhe:

A-

A+

A psicóloga Patrícia Oliveira Borges, que atende no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, na Capital, falou exclusivamente com a reportagem do jornal "O Pantaneiro" sobre a desmistificação do suicídio.

"Acredito que a melhor forma de desmistificarmos essa ideia de que é raro uma pessoa atentar contra a própria vida, ou que isso não vai acontecer com alguém próximo, é a população, de maneira geral, levar um pouco mais a sério o sofrimento psíquico, porque quando alguém se queixa de algum problema ou fala que está passando por alguma dificuldade, as pessoas tendem a achar que isso é frescura, que com o tempo vai passar ou que é falta do que fazer, e não dá a devida atenção ou auxílio", explicou.

Sobre os recentes casos que assolam o Mato Grosso do Sul e o restante do País, a psicóloga também deu sua opinião. "Eu acredito que o sofrimento mental ainda é visto de uma forma preconceituosa. De uma maneira geral, acredito que a mídia e as pessoas deveriam se atentar mais sobre a importância de se fazer um tratamento psicológico, de entender que não é 'coisa de gente louca'. É preciso procurar alguém em que confie para poder expressar os seus sentimentos sem julgamentos. Em seguida, procurar  avaliação psiquiátrica e psicológica, para averiguar a real necessidade de fazer os respectivos tratamentos. Algumas pessoas também encontram grande auxílio na religião/espiritualidade, que  pode ser importante fonte de conforto", disse.  

Fatores Desencadeantes

Questionada sobre os "gatilhos" que levam uma pessoa a cometer suicídio, a psicóloga esclareceu que estes são os chamados "fatores de risco". "Eles aumentam a probabilidade de uma pessoa cometer suicídio. Dentro desses fatores de risco, estão os transtornos psiquiátricos. Cerca de 90% dos suicidas apresentam algum tipo de transtorno psiquiátrico, diagnosticado ou não. Nestes transtornos, podemos identificar a depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, uso de álcool e drogas, além de alguns outros fatores sociais, econômicos ou afetivos. Esses casos podem 'ajudar' a pessoa a desenvolver um comportamento suicida", pontuou. 

Ela também alertou para situações estressantes, como términos de relacionamentos, divórcio, perda de um ente querido, bullying, situações de abuso sexual, brigas familiares e homofobia. 

A entrevistada também falou sobre as principais razões que levam uma pessoa a cometer suicídio. "Psicologicamente falando, pessoas que têm tendências suicidas possuem um sentimento de desesperança muito grande, uma sensação de que as coisas não vão melhorar, uma sensação também de solidão, de que ninguém é capaz de ajudá-las. Nesses casos, o apoio da família, o apoio social, de ter alguém para poder ouvir, alguém para tentar ajudar a pessoa a elaborar esse sofrimento, já é de grande ajuda, ainda que, muitas vezes, será necessário fazer um acompanhamento psiquiátrico e psicológico", falou.

Sobre o assunto, continuou. "As vezes, a dor psíquica está tão grande que não se encontra um motivo para viver, e isso se torna tão insuportável ao ponto de que a morte seja a única solução. É importante frisar que o comportamento suicida não significa, necessariamente, que a pessoa não quer mais viver e, sim, acabar com essa dor mental", complementou.

Sofrimento Invisível

Segundo a psicóloga, não existe um "padrão" determinado para um suicida. "Não existe um rosto. O que o dados informam, segundo a Organização Mundial de Saúde, a maior taxa de suicídio está na população idosa e vem aumentando essa taxa na população jovem, de 15 a 29 anos, mas não se restringe a isso. Como nós podemos identificá-los? Observando mudanças extremas de comportamento, como isolamento social, irritabilidade, explosividade, recusa de convívio com outras pessoas, uso abusivo de álcool. Frases como 'minha vida não tem mais sentido', ou 'eu gostaria de dormir e não acordar mais', 'eu não tenho mais esperança de nada', deixam implícita uma mensagem de morte, de não querer mais viver", explicou.

Ela também deixa o alerta em relação às tentativas de suicídio. "Uma pessoa que já tomou muita medicação, que teve uma intoxicação de remédio ou se auto mutilou, aponta risco elevado. Existe aquela crendice popular de que, quando uma pessoa quer se matar, ela vai lá, se mata e não avisa, mas isso é falso. Antes de cometer suicídio, a pessoa passa uma mensagem, direta ou indiretamente. Qualquer um desses sinais devem ser observados com atenção", alertou.

Ajuda

Quando questionada sobre a melhor forma de ajudar alguém que não está bem e que apresenta comportamentos suicidas, a psicóloga deixou um alerta. "A melhor forma de ajudar é não desmerecer o sofrimento alheio. É entender que aquela demonstração de problema não é 'frescura', mas sim algo que merece um tratamento. A dor mental precisa de ajuda, assim como uma dor física. É preciso entender que esse sofrimento não é 'coisa de rico', que não é verdade quando dizem que 'pobre não tem esses problemas'. Sofrimento mental existe em todas as classes sociais e não escolhe raça, sexo ou religião. Todos nós estamos sujeitos a isso", apontou.

Finalizando a fala, a psicóloga fez alguns encaminhamentos. "É preciso procurar ajuda. Caso a pessoa não tenha condições de fazer um tratamento psicológico particular, que ela procure nos postos de saúde algum profissional que possa atendê-la, ou universidades que possuem acadêmicos que fazem esse tipo de atendimento. Temos também o CVV, que é o Centro de Valorização da Vida, onde a pessoa pode falar com alguém que está disponível, pelo menos para que seja possível despejar, momentaneamente, o sofrimento", finalizou.

Currículo

A psicóloga Patrícia Oliveira Borges é formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desde 2009. É especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência pelo Instituto de Pesquisas Psicossociais (IPP). 

Ela atua como Psicóloga Hospitalar no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian e como Psicóloga Clínica em consultório particular na Capital.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Anastácio lamenta morte do professor e ex-diretor José Carlos Bezerra

Luto

Anastácio lamenta morte do professor e ex-diretor José Carlos Bezerra

Ele atuou por mais de 20 anos no serviço público; comunidade do Monjolinho lamenta a perda

4ª Copa Máster Jornal O Pantaneiro começa neste sábado em Aquidauana

Futebol amador

4ª Copa Máster Jornal O Pantaneiro começa neste sábado em Aquidauana

Flamenguinho de Miranda inicia defesa do título contra o Misto FC; partida será no Campo do Baixadão

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo