dothCom Consultoria Digital
Publicado em 22/11/2007 às 18:15
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Que Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Kaká são os craques de seus respectivos times, praticamente ninguém contesta. Os três juntos na seleção, no entanto, são questionados pelas atuações inconstantes, tendo como ápice o fraco desempenho do trio na vitória por 2 a 1 diante do Uruguai, na quarta-feira, no Morumbi, pelas Eliminatórias à Copa de 2010.
Após o jogo diante do Uruguai, Dunga deu sinais de que voltará a adotar o estilo de jogo de seu mentor, Carlos Alberto Parreira, ou seja, uma equipe com três volantes, deixando um meia livre para criar, enquanto os dois atacantes ganham o status de "salvadores da pátria", como aconteceu com Romário e Bebeto, na conquista da Copa do Mundo de 1994.
Se a decisão em adotar o esquema com três volantes, como testado com sucesso na Copa América deste ano, for confirmada, Dunga enfrentará mais críticas em relação ao seu trabalho, já que terá que tirar uma das três estrelas do futebol mundial do time titular, e o futebol brasileiro terá pela frente, mais uma vez, uma crise de identidade.
A ORIGEM DA CRISE DE IDENTIDADE
O problema entre aliar técnica e eficiência tática começou a existir na seleção brasileira após o tricampeonato mundial, conquistado em 1970, quando o mundo ficou encantado com a facilidade com que jogadores como Pelé, Jairzinho e Tostão realizavam triangulações e lindas jogadas, sempre assistidas por jogadores como Gérson e Carlos Alberto Torres.
O futebol bonito de 70 virou obrigação e o Brasil passou a confiar somente em sua técnica, deixando de lado a determinação tática. O preço pela negligência foi caro: 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, mesmo tendo apresentado um futebol vistoso e aparentemente organizado na Copa de 82, que foi escorraçado com a fatídica derrota por 3 a 2 para a eficiência italiana. O resquício de 82, sob a tutela de Telê Santana, tentou dar a volta por cima na Copa de 86, mas a derrota nos pênaltis para a França sepultou um estilo de jogo, que não parecia ser competitivo o suficiente para conquistar títulos importantes.
Mudando da "água para o vinho", o futebol brasileiro passou pelo pior momento de sua história com o estilo implementado pelo técnico Sebastião Lazaroni, que escolheu o pragmatismo como forma de competitividade, e o resultado foi catastrófico, com a eliminação nas oitavas-de-final da Copa de 90 para a rival Argentina.
Pressionado a "reinventar" o estilo de jogo tupiniquim, o técnico Carlos Alberto Parreira assumiu o comando da seleção visando a Copa do Mundo de 1994, e, mesmo contrariando princípios "básicos" da arte do futebol brasileiro, conseguiu, finalmente, implementar um esquema que fosse competitivo, mas que dependesse exclusivamente da individualidade de seus atacantes. Na época, Romário e Bebeto. O resultado foi o tetracampeonato mundial e o começo da "era tática" no Brasil.
Seguindo a mesma linha, Zagallo comandou a seleção na Copa de 98, chegando à final. A França, no entanto, demonstrou mais vontade e ficou com o título. A derrota trouxe uma nova crise de identidade ao futebol brasileiro, e técnicos como Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão pagaram caro, sendo demitidos de forma, no mínimo, estranha, sem tempo para implementarem suas respectivas táticas de jogo.
A recuperação veio através do técnico Luís Felipe Scolari, o Felipão, que manteve a competitividade da seleção de 94, mas contando com a incrível recuperação do atacante Ronaldo e do bom entrosamento entre Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, garantiu ao Brasil o pentacampeonato mundial, na Copa de 2002.
Animado com a volta da supremacia mundial, o futebol brasileiro passou por grandes momentos, deixando um pouco de lado a linha tática e voltando às raízes, com jogadores técnicos e mais soltos, tendo como ápice a conquista da Copa das Confederações em 2005, com o chamado "quarteto mágico", formado por Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano.
Na Copa de 2006, novamente sob o comando de Parreira, o "quarteto mágico" teve uma substituição, com a saída de Robinho para a entrada de Ronaldo. O show era prometido, mas o que se viu foram erros e muitos problemas extra-campo, fazendo com que a nova tentativa de aliar técnica com tática fosse fracassada e questionada por todos.
Hoje, a seleção brasileira do técnico Dunga luta para encontrar sua padronização tática, aliando a participação de Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho, mas a cada jogo, a permanência deste trio é questionada, mesmo porque o resultado mais significativo, até o momento, foi a conquista da Copa América deste ano, quando Robinho comandou o show - já que Kaká e Ronaldinho pediram dispensa - com o apoio de três volantes: Mineiro, Josué e Elano, sendo que o meia de ligação era Júlio Baptista.
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