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Aquidauanense, um valente Davi na arena do Futebol Golias

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Depois de muitos anos amargando ausência na elite do futebol sul-mato-grossense, Aquidauana volta a participar do campeonato estadual de profissionais da primeira divisão.


Desta vez o representante da Princesa do Sul é uma equipe recém-formada de jovens amadores oriundos (na sua maioria) da modesta Escolinha de Futebol Aquidauanense (EFA), que aceitaram o desafio de defender a cidade jogando contra os grandes nomes do futebol do Estado, numa difícil competição mesclada de clubes e jogadores dos mais diversos níveis.


Esses meninos pratas-da-casa estão sendo treinados pelo experiente técnico Mauro Marino, ex-jogador profissional e treinador da campeoníssima Escolinha Seduc, de Anastácio (que também forneceu atletas ao elenco), e têm como preparador físico o reconhecido professor Jerônimo Falcão. Toda a equipe está sob a responsabilidade de uma diretoria altamente empenhada na organização e na busca de apoio material e humano junto a patrocinadores (que ainda se resumem a poucos e abnegados comerciantes e alguns políticos, além de uma pequena ajuda da prefeitura municipal).


Como era de se esperar, os resultados iniciais não estão sendo vantajosos: duas derrotas de 2x0 e um empate de 2x2 em casa; um empate de 1x1 e uma derrota de 3x1 fora de casa - registrados até domingo, 10 de fevereiro. Porém, dada às circunstâncias em que ocorreram, esses números não são humilhantes; ao contrário, demonstram que esses calouros estão fazendo o máximo com o mínimo de condições.


A diferença entre o elenco do Aquidauanense e da maioria de seus adversários é gigantesca em todos os sentidos: estrutura, investimento, salários e biografia futebolística. Se somarmos a essa desfavorável situação o mérito de eles até agora não se deixarem massacrar pela força e a experiência dos adversários, podemos considerá-los verdadeiros heróis dos gramados. E, ainda, se sopesarmos o objetivo maior da participação experimental do "Novo Aquidauanense" no campeonato de ponta do Estado, que é preparar o alicerce da volta definitiva de Aquidauana ao futebol profissional, pode-se dizer que essa nova geração está tendo um batismo de fogo equivalente à lendária luta de Davi e Golias (apesar de a História Sagrada consagrar o pequeno contra o gigante).


Portanto, a despeito da fragilidade do projeto esportivo, parece óbvio que qualquer crítica condenatória feita a esses jogadores e aos dirigentes do clube, nesse estágio, é, no mínimo, precipitada, leiga ou conjectura apaixonada.


O efetivo apoio dos torcedores merece um elogio à parte. Mas, se alguém está fazendo o possível e o impossível para defender o orgulho e a honra da cidade, com raça e amor à camisa, e alimentando o sonho de Aquidauana em resgatar o seu antigo status de terceira força do futebol sul-mato-grossense, são esses destemidos e juvenis guerreiros - garotos conscientes de suas limitações e de que o soerguimento de um grande time pressupõe grandes lutas e dificuldades como estas.


E só por isso já vale o esforço da tentativa, da participação e da homérica luta dos pequenos Davis do Reino da Princesa do Sul.
Até agora Deus tem suavizado a luta, mas Ele não sabe jogar bola.

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