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Publicado em 30/07/2009 às 13:55
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54

Dois dias antes de disputar sua prova favorita, brasileiro dá show no Foro Itálico e garante ao país a primeira vitória em Mundiais desde 1982
Lydia Gismondi Direto de Roma
César Cielo tem pressa. Para alguém tão acostumado à velocidade, a final dos 50m livre no sábado ainda parece um futuro distante. E se a prova favorita demorava a chegar, Cielo resolveu descontar a pressa nos 100m. Azar dos concorrentes. Em 46s91, o brasileiro foi e voltou na piscina do Foro Itálico para bater o recorde mundial da prova e garantir o primeiro ouro do país no Mundial de Esportes Aquáticos, em Roma.Na cerimônia de premiação, Cielo subiu no palanque branco com um largo sorriso no rosto. Abraçou os franceses Alain Bernard e Frederick Bousquet, que completavam o pódio, e recebeu sua histórica medalha de ouro. Cantou o Hino Nacional até a metade, e a partir dali se dedicou à missão de segurar o choro. Foi por pouco tempo. Quando a primeira lágrima caiu, as arquibancadas explodiram em aplausos para o maior nadador brasileiro de todos os tempos.
Valeu a pena. Deu certo de novo. Agora é comemorar com a maior alegria que eu poderia ter "
Lá se iam 27 anos desde que o país conquistou seu último - e até então único - ouro em Mundiais. Foi com Ricardo Prado, em 1982, no Equador. Aos 17 anos, ele nadou os 400m medley em 4m19s78 e bateu o recorde mundial. Cielo, no entanto, é o primeiro brasileiro a ser campeão mundial e olímpico.
Favorito para vencer a prova, Alain Bernard conquistou a prata com 47s12, e o bronze ficou com Frederick Bousquet em (47s25). Cielo virou os primeiros 50m em segundo lugar, atrás de Bousquet, que perdeu duas posições na segunda metade da disputa. Cielo apertou o ritmo nos últimos metros e, por 21 centésimos, garantiu o ouro e o recorde mundial. A marca anterior era do australiano Eamon Sullivan, com 47s05. Veja no vídeo abaixo como foi a prova.
Cielo passa a ser o primeiro nadador da história a nadar a prova abaixo dos 47 segundos. Alain Bernard também tinha conseguido o feito, mas seu recorde não foi homologado pela Federação Internacional de Natação, já que o maiô não estava aprovado.
Assim que bateu em primeiro, Cielo arrancou a touca e vibrou muito olhando para as arquibancadas. Com o peito todo vermelho, fruto dos tradicionais tapas antes da prova, o brasileiro deixou a piscina exausto, com as pernas doendo, mas com a certeza do dever cumprido. Exausto, ele festejou o feito.
- É sensacional. São dois anos na minha carreira para entrar para a história. Cresci assistindo ao Gustavo Borges nadando essa prova, não tem nada igual. É um sonho sendo realizado. Estou doendo muito agora, minha perna dói, está difícil até de pensar. Valeu a pena. Deu certo de novo. Agora é comemorar com a maior alegria que eu poderia ter - afirmou Cielo, com a fala ofegante e o sorriso aberto.
Até Phels se rende ao brasileiro
Logo após a prova, o americano Michael Phelps, que abriu mão da disputa, dava entrevista a uma rede de TV dos Estados Unidos. Questionado sobre a decisão de não nadar os 100m livre, ele não titubeou.
- Acabei de ver o César Cielo nadar e tive uma certeza: eu não ganharia esta prova de jeito nenhum.
A esta altura, nem o fenômeno da natação mundial tem dúvidas sobre quem é o melhor do planeta em provas rápidas.
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