A jornada na busca pelo segundo título do Mundial de Clubes da Fifa começa para o Inter, efetivamente, nesta terça-feira, às 14h (horário de Brasília). Depois de aguardar mais de quatro meses – desde que superou o São Paulo na semi da Libertadores e assegurou presença em Abu Dhabi, os gaúchos entram em campo contra o surpreendente Mazembe, da República Democrática do Congo.
Sem nenhum tipo de problema no time titular, Celso Roth precisou somente controlar a ansiedade dos jogadores nos últimos cinco dias, período em que estão na cidade do torneio, convivendo diariamente com a presença de torcedores colorados. Os mesmos que devem se fazer presente em número expressivo no estádio Mohammed Bin Zayed, na estreia da equipe.
O comandante quer pés no chão, atenção a partir do primeiro segundo e foco. Tudo para não repetir o desastre do Pachuca, que jogou pouco e foi eliminado pelo Mazembe por 1 a 0, nas quartas de final. “É estreia, mas é jogo eliminatório. Não tem o deixar para depois”, alerta o técnico Celso Roth.
Não existem dúvidas de que os brasileiros têm muito mais chances de seguir na competição. Mas é exatamente por isso que um discurso de modéstia e respeito ecoa do lado vermelho dos Emirados Árabes nos últimos dias. “A semifinal é o jogo mais difícil, essa é a verdade. Se não ganhar vai ficar uma semana em Abu Dhabi para jogar o terceiro e quarto posto e isso vai ser muito ruim”, define o meia D’Alessandro.
Assuntos como desempenho técnico e a possível final com a Internazionale quase nem foram tocados nos contatos com os jogadores e o treinador. A atmosfera gira em torno do que o Inter será capaz de mostrar em seu primeiro jogo, quatro anos depois de faturar o Mundial pela primeira vez.
“Representamos um continente que tem uma tradição grande, um país dito por todos como o país do futebol. Imagina qual é a nossa expectativa”, brinca o técnico Celso Roth. "O início da partida é fundamental. Os jogadores todos estão ansiosos. Nós, brasileiros, todos estamos ansiosos. Sabemos pela experiência que temos, que o início é fundamental”, aponta.
Surpresa, mas sem humildade
O Mazembe está pelo segundo ano seguido no Mundial, tem um time forte fisicamente e com investimento pesado em contratações. Reconhece não saber quem é quem no Inter, mas não faz cena, muito menos prega humildade. É seu técnico, Lamine N’Diaye, quem demonstra uma certa prepotência, descabida às vésperas do confronto com um clube maior.
“Como você sabe os africanos tem um futebol forte, temos que levar os times do continente a sério. Eles tem percepção, habilidade para pensar, tem cognição. Um dia seremos levados em consideração, e isto não está longe”, alerta o senegalês.
Em sua estreia, o Mazembe não praticou jogo desleal, mas abusou de faltas. Teve um jogador expulso e promete surpresas ante o Internacional. “Não vamos mudar nada em nossos planos. Vamos ser iguais ao primeiro jogo e como jogamos antes. Vamos tentar controlar o nervosismo e jogar com ambição”, garante o comandante do time africano.
Um dia antes do jogo mais importante da sua história, o clube teve, no entanto, uma demonstração tamanha de pequenez. Seu capitão, Mihayo, revelou não conhecer nenhum atleta adversário. “Não tenho ideia sobre quais são os jogadores do Internacional. Apenas vimos em vídeo o comportamento deles em campo e eles são bastante técnicos”, disse.