Títulos internacionais, fãs e dinheiro Ronaldinho Gaúcho tem aos montes. Sua fama no mundo inteiro é proporcional à vontade de disputar a Copa de 2014, no Brasil. Por essa razão, aliada a outras, como o desejo de ficar mais perto da família e dos amigos e a má fase na Itália, ele decidiu voltar ao País depois de dez temporadas na Europa. Quer brilhar por aqui, bem pertinho do técnico da seleção, Mano Menezes, e evitar a frustração de ficar fora do Mundial, como ocorreu no ano passado, na África do Sul.
"É muito difícil para o atleta tomar decisão desse nível (sobre o futuro). Diz respeito à carreira, à seleção. Existe o Mundial no Brasil [em 2014], são muitos elementos. É importante para ele"[em 2014], disse o irmão e empresário do jogador, Roberto Assis, fazendo mistério sobre o destino do meia revelado no Grêmio e que, há algum tempo, não exibe o futebol que encantou o mundo.
Ontem, diante de 128 jornalistas, entre eles correspondentes do Japão, da Itália, da França, dos Estados Unidos e da Espanha, num salão nobre do Hotel Copacabana Palace, Assis e Ronaldinho deram coletiva para dizer algo que o próprio Milan já revelou: o jogador está liberado para negociar sua transferência para um clube brasileiro.
Sentado ao lado de Ronaldinho, o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, avisou que, embora a saída do craque do futebol italiano seja irreversível, a rescisão de contrato com o time italiano ainda não foi selada. Ou seja, quem quiser contratá-lo terá de abrir o cofre para pagar uma indenização aos italianos.
Grêmio, Palmeiras e Flamengo travam uma acirrada disputa para fechar uma das maiores transações do futebol brasileiro dos últimos anos. A proposta de cada clube é alta, com salário mensal superior a R$ 1 milhão. Em comum entre os três está a confiança de desbancar os rivais e apresentar o craque com grande festa. O Grêmio segue dizendo que só falta a assinatura do contrato e que já prepara a cerimônia para mostrá-lo à torcida.
Cobiçado por vários times, apesar da queda de seu futebol e das incursões frequentes pela noite nos últimos meses na Itália, Ronaldinho manteve-se em cima do muro para definir seu futuro. Foi evasivo nas respostas. "Minha escolha é jogar futebol, não tenho preferência. A parte financeira fica entre clube e empresário, minha parte é jogar futebol e seguir no meu patamar de vida", afirmou. Do lado de fora do hotel, cerca de 500 torcedores do Flamengo levaram bandeiras, fizeram batucada, cantaram o hino do clube e pediram que Ronaldinho fique no Rio.
O astro admitiu que ficou "arrepiado" ao ver a mobilização da torcida rubro-negra, mas não deu nenhuma dica sobre a sua escolha. "O Palmeiras tem Felipão. O Grêmio é da minha cidade, e o Flamengo é o Flamengo, tudo isso aqui. É difícil tomar uma decisão."
O futuro de Ronaldinho já virou novela, mas agora tem data para terminar, pelo menos no discurso dos envolvidos: até a próxima quarta-feira. Se depender de Galliani, o meia seguirá vestindo vermelho e preto. "Em nível sentimental, sou torcedor do Flamengo. Mas a decisão é do Ronaldinho", disse o dirigente, para alegria do presidente do Conselho Fiscal do Flamengo, Leonardo Ribeiro, que acompanhava a entrevista. Assis ficou constrangido com a declaração do italiano, que só volta para seu país quando "tudo estiver resolvido".
A diretoria do Palmeiras permanece otimista com o desfecho da história por ter a certeza de que fez a "melhor proposta". O presidente do Grêmio, Paulo Odone, já deu a contratação do astro como certa. Ontem, chegou a dizer para os jogadores que "Ronaldinho vai correr e suar como cada um deles", durante reunião no vestiário. Num discurso que já parecia um antídoto a possíveis ciumeiras, o dirigente explicou que o craque "vem por duas coisas": para ser atleta e também por "um assunto de marketing". Odone admitiu que Ronaldinho terá de ser autossustentável, dando a entender que a presença dele deve gerar os recursos de que o clube necessita para pagar o salário milionário e "ajudar o Grêmio no futebol".
Acusado de fazer leilão com Ronaldinho, Assis se defendeu: "Sempre fui muito sincero e nunca dei nenhum tipo de definição. Sempre manifestei que existia o Milan. E hoje me motiva dizer que todos os clubes envolvidos têm condições de contratar o Ronaldo." / colaborou: Elder Ogliari, de Porto Alegre