Apesar de ficar menos com a bola, Peixe encaixa pressão na saída de jogo do Furacão, força rival ao erro e conta com o seu 'velho' camisa 10 para abrir vantagem na Libertadores
Luiz Guido Junior
Publicado em 06/07/2017 às 07:19
Atualizado em 10/09/2026 às 13:57
A receita da vitória do Santos sobre o Atlético-PR, por 3 a 2, na última quarta-feira, pela Libertadores, passou por dois fatores fundamentais: a marcação alta e a exibição de Lucas Lima. Claro que os gols de Kayke e Bruno Henrique foram essenciais para o Peixe construir uma boa vantagem de olho na vaga às quartas de final, mas eles, por si só, não explicam taticamente os acertos do time paulista - que, é bem verdade, fez primeiro tempo bem inferior aos 45 minutos finais.
A estratégia de apertar o Furacão no campo de defesa já se mostrara eficaz no último encontro entre as equipes em Curitiba, quando o Alvinegro também se saiu vitorioso, daquela vez, com o placar de 2 a 0. A diferença foi que, na Vila Capanema, o Santos não ficou em seu campo de defesa, à espera dos contragolpes. Especialmente no segundo tempo, a ação já se dava na intermediária paranaense. O GloboEsporte.com contabilizou ao menos sete ocasiões em que os paulistas cercaram os defensores do Furacão e os obrigaram a forçar um passe ou lançamento.
Foi em uma dessas blitzes, por exemplo, que o Peixe recuperou a bola e trocou passes até a finalização de Victor Ferraz, no segundo gol. Aqui, aliás, vale um parênteses. O lateral-direito santista virou praticamente um meio-campista na formação dos 45 minutos finais, quando Levir Culpi percebeu que o adversário estava acuado e posicionou a equipe de forma a deixar apenas três homens atrás da linha do meio de campo, como está demonstrado no campinho abaixo (Copete e Bruno Henrique trocaram de lado em um determinado momento):

Não à toa, Ferraz foi o jogador que mais tocou na bola: 63 dos 313 passes santistas no jogo, ou seja, 20% deles, saíram dos pés do camisa 4. E ele errou apenas oito. Quer ter uma ideia do que isso representa no contexto do time? O segundo na lista foi Lucas Lima, com 35 passes. Mas já falaremos a seguir sobre o camisa 10. Antes, aqui vai um dado interessante. Em termos de posse, o Atlético-PR, como já era de esperar, ficou mais com a redonda (54% a 46%).
Voltando a Lucas Lima, o meia mostrou, enfim, um pouco da sua velha forma. Deu a assistência para Kayke abrir o placar, acertou lançamentos (quatro, de seis) e ainda deixou os companheiros três vezes em situação de finalizar. E, se é verdade que o jogador vem se esforçando para não ficar com a imagem no clube queimada, a exemplo do que houve com Ganso, também é verdade que ele teve um gesto ao fim do jogo capaz de ser comparado a um dos mais célebres do ex-Maestro em sua passagem pela Vila.
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